sábado, 17 de maio de 2014
terça-feira, 13 de maio de 2014
O COMERCIAL DO PT QUE ENLOUQUECE O PIG !
É
preciso olhar o passado para pensar no futuro! Como era
sua vida há dez anos?
fonte: http://www.conversaafiada.com.br/
domingo, 11 de maio de 2014
terça-feira, 6 de maio de 2014
Por que será que os jornalistas não estão preocupados com a notícia verdadeira e detestam o PT?
Ora, dá para entender as motivações destes "grandes" jornalistas para falar tão mal do governo atual e a falta de compromisso com a realidade e com o próprio povo...
Publicado em 06/05/2014
MIRO: A RELAÇÃO PIG – TUCANOS E
Publicado em 06/05/2014
MIRO: A RELAÇÃO PIG – TUCANOS E
A ÂNCORA BILIONÁRIA
“Ticiana apenas foi sincera e “indiscreta”
JORNAL DA BAND E A ÂNCORA BILIONÁRIA
vídeo acima causou agito nas redes sociais – além de traumas familiares e no local de trabalho. Nele a âncora do Jornal da Band, Ticiana Villas Boas, esbanja sua fortuna. Casada com o empresário Joesley Batista, dono da Friboi, ela fala das suas gastanças. “É bom ter dinheiro, não fazer conta, sair para jantar a hora que quiser no restaurante que quiser, poder reformar sempre a casa, ter funcionário na casa… Eu chego em casa, meu carro já está abastecido, meu motorista faz isso. Outro dia me perguntei quanto era o litro da gasolina. Eu não sabia”, afirma a jornalista bilionária. Segundo vários sites de notícia, a ostentação causou mal-estar na TV Bandeirantes e até problemas domésticos.
Em reportagem publicada nesta segunda-feira (5), o Portal Imprensa relata que o parceiro de Ticiana Villas Boas na bancada do Jornal da Band, o veterano Ricardo Boechat, ficou irritado com o vídeo e também com a entrevista à revista Veja. “Boechat estaria fazendo campanha para que a jornalista fosse substituída por Ana Paula Padrão, que está sem contrato. O problema, segundo ele, é que a saída poderia gerar perda de anunciantes no canal. Além da Friboi, [Joesley] Batista é dono da Neutrox, Seara e dos sabonetes Francis”.
Já segundo a colunista Fabíola Reipert, no seu blog de fofocas sobre celebridades, “Joesley, marido riquíssimo de Ticiana (uma das empresas dele é a Friboi), ficou muito bravo com a entrevista da mulher contando sobre a vida luxuosa que leva depois que se casou com ele. Isso caiu como uma bomba. Ele não quer saber de ostentação, muito menos de exposição. Além de se irritar com as coisas que Ticiana falou, Joesley detestou ver na revista uma listinha com parte de seus bens, como um jato Legacy avaliado em 25 milhões de dólares, um imóvel em Nova York e uma casa em Angra dos Reis… Ela poderia ser mais discreta, né”.
O mundo da mídia privada, principalmente das emissoras de tevê, tem muitos segredinhos. Ticiana apenas foi sincera e “indiscreta”. Outros figurões midiáticos preferem não revelar suas ligações com empresários ricaços e caciques políticos. Há muitas “calunistas” com íntimas ligações com tucanos e demos, mas eles ficam na moita fazendo os seus discursos “imparciais” sobre a escandalização da política. Alguns, inclusive, devem ter ajudado a divulgar a falsa e criminosa história de que o filho de Lula é dono da Friboi. Ticiana poderia esclarecer o assunto!
*****
Em reportagem publicada nesta segunda-feira (5), o Portal Imprensa relata que o parceiro de Ticiana Villas Boas na bancada do Jornal da Band, o veterano Ricardo Boechat, ficou irritado com o vídeo e também com a entrevista à revista Veja. “Boechat estaria fazendo campanha para que a jornalista fosse substituída por Ana Paula Padrão, que está sem contrato. O problema, segundo ele, é que a saída poderia gerar perda de anunciantes no canal. Além da Friboi, [Joesley] Batista é dono da Neutrox, Seara e dos sabonetes Francis”.
Já segundo a colunista Fabíola Reipert, no seu blog de fofocas sobre celebridades, “Joesley, marido riquíssimo de Ticiana (uma das empresas dele é a Friboi), ficou muito bravo com a entrevista da mulher contando sobre a vida luxuosa que leva depois que se casou com ele. Isso caiu como uma bomba. Ele não quer saber de ostentação, muito menos de exposição. Além de se irritar com as coisas que Ticiana falou, Joesley detestou ver na revista uma listinha com parte de seus bens, como um jato Legacy avaliado em 25 milhões de dólares, um imóvel em Nova York e uma casa em Angra dos Reis… Ela poderia ser mais discreta, né”.
O mundo da mídia privada, principalmente das emissoras de tevê, tem muitos segredinhos. Ticiana apenas foi sincera e “indiscreta”. Outros figurões midiáticos preferem não revelar suas ligações com empresários ricaços e caciques políticos. Há muitas “calunistas” com íntimas ligações com tucanos e demos, mas eles ficam na moita fazendo os seus discursos “imparciais” sobre a escandalização da política. Alguns, inclusive, devem ter ajudado a divulgar a falsa e criminosa história de que o filho de Lula é dono da Friboi. Ticiana poderia esclarecer o assunto!
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Fonte: http://www.conversaafiada.com.br/pig/2014/05/06/miro-a-relacao-pig-tucanos-e-a-ancora-bilionaria/
sexta-feira, 2 de maio de 2014
Charge Latuff: A melhor e
mais temida arma contra a violência policial!
http://marxismo21.org/pesquisas/
sábado, 5 de abril de 2014
Entrevista com o presidente do Uruguai
É uma aula de política, o cara é muito bom!!
De esquerda, revolucionário contra a ditadura, legalizou a maconha e o aborto. E, por mais que os jornalistas da Band news tenham tentado induzir uma resposta que queriam, ele faz largos elogios ao ex presidente Lula, apontando que os brasileiros não dão o valor merecido a este grande homem...
Vídeo – Canal Livre Entrevista o Presidente do Uruguai José Mujica (Na Integra)
sábado, 8 de março de 2014
DIA INTERNACIONAL DA MULHER
quinta-feira, 6 de março de 2014
Por
Silvio Costa
Neste momento em que as mulheres, mesmo que ainda de forma insuficiente, passam
a desempenhar importantes cargos em diversos níveis – como professoras,
cientistas, parlamentares, ministras, etc. – e avançar rumo a ocupação de
significativo espaço público, é oportuno destacar a participação das mulheres
revolucionárias, denominadas pejorativamente pelas forças reacionárias e
aristocrático-burguesas, de les pétroleuses, ou seja, as incendiárias.
A presença e a participação feminina nas lutas políticas e revolucionárias
na França e outros países é uma constante, inclusive, o símbolo da República
francesa é representado por uma mulher.
Em que pese a destacada participação das mulheres nos principais acontecimentos
de nossa história, principalmente a partir da denominada história moderna, até
algumas décadas atrás o envolvimento feminino nas lutas políticas
revolucionárias não era estudado.
As mulheres estiveram presentes, mas relegadas e marginalizadas. Esta realidade
que está sendo mudada nas últimas décadas pelo esforço destacado das
feministas, que ousam investigar e comprovam que as mulheres, cerca de 50% –
possivelmente com pequenas diferenças em um ou outro período – da população em
toda a história da humanidade, estiveram participando dos fatos históricos,
onde o destaque fica com as mulheres trabalhadoras, que desafiando os
preconceitos e os limites culturais – inclusive contra homens revolucionários
–, conquistaram seus direitos, não somente como parte integrante da parcela
social majoritária, explorada e oprimida, mas também de seus direitos
específicos enquanto mulheres.
Em todas as revoluções burguesas e proletárias dos séculos XVIII, XIX e XX, “as
mulheres com estudos utilizaram as oportunidades que se lhes ofereceram de
defender reivindicações sociais, econômicas e políticas radicais, sobretudo
aquelas destinadas a transformar o lugar que ocupam as mulheres na família e na
economia, em concreto mediante a exigência de direitos e igualdade legais. Sem
dúvida, as mulheres da classe baixa também participaram, sobretudo quando os
problemas econômicos ameaçavam seu nível de vida e o de suas famílias. Com
frequência estas mulheres conectaram estas questões com as lutas pelo poder e
as mudanças políticas radicais que tinham lugar e fizeram pleno uso da oportunidade
de pressionar a favor de reformas legais e constitucionais. (...) Sem dúvida,
em linhas gerais, os homens revolucionários não parece que hajam tido muito em
conta os direitos da mulher(...) muitos homens temiam ao que parece, que as
mulheres participassem em atividades políticas. Como consequência, os políticos
e historiadores homens ignoraram as mulheres revolucionárias ou as pintaram
como amazonas e feras, enquanto que muitos homens radicais têm-se mostrado às
vezes pouco dispostos a respaldar os direitos da mulher, por receio de parecer
insensatos aos olhos dos demais homens.” (Todd, 2000: 128).
As mulheres na revolução de 1789
Já no ano de 1789 e posteriores, as mulheres participam de forma destacada nas
lutas revolucionárias. Como um dos setores mais sensíveis às conseqüências das
crises, assume papel de destaque nas mobilizações contra a escassez, a fome, a
irregularidade no abastecimento, mas não ficam somente nestas lutas, começam a
formular e apresentar suas reivindicações específicas, de forma cada vez mais
destacada. Criam associações destinadas a exigir a defesa dos direitos das
mulheres, como por exemplo a Sociedade de Mulheres Republicanas
Revolucionárias, fundada em fevereiro de 1793, por Claire Lacombe e Pauline
Léon , responsável por diversas conquistas revolucionário-populares.
Algumas feministas conseguem destacar-se na defesa de seus direitos e por
colocar suas reivindicações específicas como parte das plataformas políticas
mais gerais. Entre estas se destacam Marie-Jeanne Roland, conhecida como
“Manon” Roland, discípula de Rousseau e célebre como a filósofa republicana; a
holandesa Etta Palm d´Aelders; Olympe de Gouges, que redigiu uma Declaração dos
Direitos da Mulher; Tréroigne de Méricourt, que se destacou no grupo Amigos da
Constituição em 1790. Deve-se anotar que a participação das mulheres neste
momento é identificada, pelo próprio caráter e pelo conteúdo de classe, com a
perspectiva burguesa e não avançando em suas reivindicações especificas, o que
só surgirá posteriormente.
A primavera dos povos em 1848
Em geral a participação feminina nas revoluções de 1848, quando da primavera
dos povos, manifesta um conteúdo um pouco diferente da fase anterior, pois é
destacada a presença das trabalhadoras e o surgimento das ideias socialistas e
comunistas, que defendem a igualdade para as mulheres e a associam com a
emancipação de classe, com a superação da ordem existente.
A Revolução de 1848, na França, principalmente em Paris, a exemplo de outros
períodos revolucionários, destaca-se como o momento em que aconteceu o maior
número de manifestações proletárias e onde as mulheres participaram com
destaque, inclusive de forma independente, na organização de greves e
associações gremiais, e reivindicaram que o Plano Nacional de Trabalho não seja
excludente às mulheres e restrito a minorar só as consequências do desemprego
masculino. Inclusive conseguem que representantes dos grêmios de mulheres façam
parte da Comissão Luxemburgo, responsável por analisar e apresentar ao governo
provisório, sugestões relativas as condições de vida dos trabalhadores e sobre
os salários.
Entre as organizações específicas fundadas neste período destaca-se as
Vésuviennes, que ao lutar pelas reivindicações femininas, organizava grupos de
mulheres para treinamentos com conteúdo militar; o Clube para a Emancipação das
Mulheres; a União das Mulheres e a Associação Fraternal de Democratas de Ambos
os Sexos reivindicavam a igualdade de direitos para as mulheres, o direito ao
divórcio e de voto. Registra-se, também, que muitas mulheres assistiram as
reuniões da Sociedade Republicana Central dirigida por Blanqui e que, em
algumas cidades das províncias, surgiram clubes femininos. (Todd, 2000: 135).
“Os defensores dos direitos da mulher também imprimiram milhares de cartazes,
boletins e conclamações, além de fundar revistas e jornais, o mais importante
deles foi La Voix des Femmes (A Voz das Mulheres), defendia o divórcio e
creches para os filhos das mulheres trabalhadoras. Fora de Paris, seus esforços
tendiam a limitar-se a exortar a seus maridos para que passassem à ação(...),
sem dúvida, a medida em que o processo de politização característico das
revoluções de 1848 se estendia, a participação política das mulheres tendia a
aumentar. Algumas lutaram nas barricadas durante a revolução de fevereiro, mas
foram muitas mais as que participaram na acentuada luta de rua de junho de
1848. As mulheres de Paris lutaram com tanta decisão como os homens e
constituíram uma pequena porcentagem do total de mortos, feridos ou feitos prisioneiros.
Ainda que algumas se limitaram a carregar e limpar as armas, outras dirigiram
grupos de combate integrados só por homens. A atividade política das mulheres
se restringiram depois que se reprimiu o levante dos “dias de junho”, mas
muitas haviam aumentado sua consciência social e política.” (Todd, 2000: 135).
Muitas das ativistas femininas, ou melhor, feministas, lutaram não só nos
acontecimentos da Revolução de 1848 na França, mas tiveram papel político
importante nas lutas feminista posteriores, entre as quais se destacam: Eugénie
Niboyet, responsável pela publicação do periódico parisiense Voz das Mulheres,
dedicado à defesa dos direitos específicos das mulheres; Jeanne Déroin,
fundadora do Clube para a Emancipação das Mulheres; Joséphine Courbois,
conhecida como a rainha das barricadas, por sua atuação destacada nas
barricadas em Lyón, e despois em 1871, em continuidade a sua militância, lutou
nas barricadas da Comuna de Paris; Amadine Lucile Aurore Dudevant, conhecida
como George Sand, intelectual e escritora conhecida por suas idéias
republicanas e revolucionárias.
Em outros países da Europa, a presença e participação feminina nas lutas
revolucionárias de 1848 não alcançaram o nível e a intensidade que teve na
França. No Império Austro-Húngaro, em Viena e Praga, as mulheres, mesmo que não
haja registros de que apresentaram reivindicações específicas, se reuniam para
tratar de assuntos políticos e publicar periódicos. Há registros de que em
Praga, em junho de 1848, participaram das lutas, e em Viena, em outubro,
auxiliaram na construção de barricadas. Na Hungria se chegou a formar dois
regimentos femininos e algumas mulheres, disfarçadas de homens, alistaram-se
nas tropas, inclusive há o caso de duas atingirem o posto de capitão antes de
serem descobertas. A existência de organizações femininas se restringe
praticamente a Praga e Viena, e se dedicavam a apoiar aos refugiados políticos
e insurgentes prisioneiros. O Clube das Mulheres Eslavas, organizado em Praga,
se dedicava à educação das mulheres em sua língua pátria.
Nos Estados alemães, na cidade têxtil de Elberfeld, as mulheres participaram no
31 de março de 1848 de uma manifestação em apoio aos trabalhadores e pela
unificação da Alemanha, quando propuseram que se usasse somente a roupa confeccionada
no país. Em outras localidades e eventos a participação se limitou a atividades
de apoio. Os homens em seus clubes políticos, inclusive os burgueses radicais,
com exceção dos socialistas e comunistas, não permitiam a participação
feminina. Em Berlim, o pequeno Congresso dos Trabalhadores, que congregava 31
organizações, apoiava a reivindicação de igualdade para as mulheres, e
registra-se também, a existência do Clube Democrático de Mulheres. Entre as
mulheres se destacam as feministas Matilde Franziska Anneke e Luise
Otto-Peters, responsáveis pela publicação de periódicos.
Nos Estados Italianos antes de 1848, em que pese certa presença das mulheres e
de suas idéias nacionalistas e liberais, sua participação se limitou com
algumas poucas exceções, a apoiar as atividades revolucionárias dos homens. Em
geral, as mulheres italianas, neste período, não foram além do apoio a seus
esposos e familiares. O destaque nos Estados Italianos é da brasileira Anita
Garibaldi, considerada a verdadeira heroina italiana, por sua participação ao
lado de Garibaldi, seu esposo, nas lutas pela unificação da Itália.
As mulheres na Comuna de Paris de 1871
Mas, de todas essas lutas revolucionárias nas que as mulheres tiveram
participação, o grande destaque foi na Comuna de Paris, seja por seu conteúdo
político ou seja pelo número e intensidade.
Em 1871, os trabalhadores padeciam em precárias condições de vida e as
trabalhadoras, em que pese a participação das mulheres nas jornadas
revolucionárias em quase um século de luta de classes, padeciam de dupla
exploração e discriminação, enquanto mulheres e trabalhadoras, e estavam
excluídas de direitos políticos básicos, como por exemplo o direito ao voto.
Um exemplo das discriminações as quais estavam submetidas as mulheres é explicitado
pelo código civil francês, modelo de código civil burguês e seguido em
diferentes países, “foi um dos documentos mais reacionários no que diz respeito
à questão da mulher. A despojava de todo e qualquer direito, submetendo-a
inteiramente ao pai ou ao marido, não reconhecia a união de fato e só
reconhecia aos filhos do casamento oficial.” (Martins, 1991: 47-48). Para
muitas mulheres, a Comuna se apresenta não só como uma possibilidade de
conquistar uma República social, mas de conquistar uma República social com
igualdade de direitos para as mulheres.
No dia 18 de março de 1871, considerado o dia do deflagrar da Comuna, foram as
mulheres as primeiras a dar o alarme e revelar a intenção das tropas a mando do
governo de Thiers, de retirar os canhões das colinas de Montmartre e desarmar
Paris. As mulheres se puseram diante das tropas governamentais e impediram com
seus corpos que os canhões fossem retirados e incitaram a reação do
proletariado e da Guarda Nacional à defesa de Paris.
“Em concreto, as mulheres trabalharam em fábricas de armas e munições, fizeram
uniformes e dotaram de pessoal aos hospitais improvisados, além de ajudar a
construir barricadas. Muitas delas foram destinadas aos batalhões da Guarda
Nacional como cantinières, onde se encarregavam de proporcionar alimentos e
bebida aos soldados das barricadas, além dos primeiros auxílios básicos. Na
teoria, eram quatro as cantinières destinadas a cada batalhão, mas na prática
ocorria ser muito mais. Por outra parte, abundantes dados mostram que muitas
mulheres recolheram as armas de homens mortos ou feridos e lutaram com grande
determinação e valentia. Também houve um batalhão composto por 120 mulheres da
Guarda Nacional que lutou com valentia nas barricadas durante a última semana
da Comuna. Obrigadas a retirar-se da barricada da Place Blanche, se
transladaram à Place Pigalle e lutaram até que as cercaram. Algumas escaparam
ao Boulevard Magenta, onde todas morreram na luta final.” (Todd, 2000: 140).
As mulheres desenvolveram uma série de atividades e mais destacadamente as
destinadas à assistência aos feridos e enfermos, à educação em geral e ao
abastecimento. Mesmo que não houvesse movimentos e organizações feministas como
conhecemos hoje, e não tenha sido elaborado um programa só com reivindicações
específicas, as revolucionárias criaram cooperativas de trabalhadores e
sindicatos específicos para as mulheres. Participaram ativamente de clubes
políticos, reivindicando a igualdade de direitos, como por exemplo o Clube dos
Proletários e o Clube dos Livrepensadores.
Criaram organizações próprias como o Comitê de Mulheres para a Vigilância, o
Clube da Revolução Social, o Clube da Revolução e o que conseguiu destacar-se
entre eles foi a União de Mulheres para a Defesa de Paris e a Ajuda aos feridos
fundada por membros da Internacional, influenciada pelas idéias de Marx.
Publicaram-se periódicos destinados às mulheres: Le Journal des Citoyennes de
la Comuna (Jornal das Cidadãs da Comuna) e La Sociale (A Sociedade).
As revolucionárias na Comuna adquiriam importância não só como lutadoras das
causas sociais, mas como feministas, que pertenciam à classe operária ou aos
setores radicais dos setores médios, identificadas com as lutas pela conquista
de uma República social com igualdade de direitos. Entre as mulheres neste
período, a que ficou mais conhecida foi a ativista socialista Louise Michel,
fundadora da União de Mulheres para a Defesa de París e de apoio aos Feridos e
membro da I Internacional.
Destacam-se ainda: Elizabeth Dmitrieff, militante socialista e feminista; André
Léo, responsável pela publicação do periódico La Sociale; Beatriz Excoffon,
Sophie Poirier y Anna Jaclard, militantes do Comitê de Mulheres para a
Vigilância; Marie-Catherine Rigissart, que comandou um batalhão de mulheres;
Adélaide Valentin, que chegou ao posto de coronel, y Louise Neckebecker,
capitão de companhia; Nathalie Lemel, Aline Jacquier, Marcelle Tinayre, Otavine
Tardif y Blanche Lefebvre, fundadoras da União de Mulheres, sendo que a última
foi executada sumariamente pelas tropas da reação, e Joséphine Courbois, que
havia lutado em 1848 nas barricadas de Lyón, onde era conhecida como a rainha
das barricadas. Se deve citar ainda a Jeanne Hachette, Victorine Louvert,
Marguerite Lachaise, Josephine Marchais, Leontine Suétens y Natalie Lemel.
Depois da derrota militar da Comuna de Paris de 1871, as forças conservadoras e
reacionárias, na impossibilidade de eliminar este exemplo heroico que demonstra
a possibilidade de destruição da ordem burguesa, disseminam uma grande campanha
de calúnias contra o proletariado, as mulheres revolucionárias, os socialistas,
os comunistas e em particular contra a I Internacional.
“Algumas fontes fazem referência às incendiárias, as pétroleuses, que atearam
fogo aos edifícios públicos durante a Semaine Sanglante final da Comuna. Estas
histórias parecem ser fruto do alarmismo antifeminista de inspiração
governamental e a maioria dos correspondentes estrangeiros presentes não
acreditaram. Não obstante, as tropas governamentais executaram de maneira
sumária a centenas de mulheres, e inclusive lhes batendo até a morte, porque
eram suspeitas de ser pétroleuses. Contudo, apesar do fato de que mais tarde se
acusou a muitas mais mulheres de ser incendiárias, os conselheiros de guerra
não encontraram nenhuma culpável desse delito. Sem dúvida, há provas que
indicam que, durante os últimos dias, as mulheres aguentaram mais tempo detrás
das barricadas que os homens. No total, foram submetidas 1.051 mulheres a
conselhos de guerra, realizados entre agosto de 1871 e janeiro de 1873: oito
foram sentenciadas a morte; nove a trabalho forçados e 36 a serem deportadas à
colônias penitenciárias.” (Todd, 2000: 140-141).
A Comuna de Paris e a destacada participação feminina em atividades consideram
até então, como masculinas, reafirma a força revolucionária da mulher, já
desenhada a partir da revolução de 1789, e que se transformou em uma onda
histórica mundial indestrutível. As mulheres, a partir da Comuna de Paris
passam a contribuir com grande parte da força que coloca em movimento a máquina
da revolução proletária, indicando que elas não mais deixariam a cena da luta
dos explorados e oprimidos por uma nova sociedade de progresso social e de
liberdade.
Madrid, inverno de 2001.
Bibliografia
- Costa, Silvio (1998): Comuna de París: o proletariado toma o céu de assalto.
São Paulo/Goiânia: Anita Garibaldi/Universidade Católica de Goiás.
- Engels, F. (1984): A origem da família, da propriedade privada e do Estado.
São Paulo: Global.
__________ (1977): “Introdução a Guerra civil na França”. En Marx &
Engels(1977): Textos. São Paulo: Alfa-Ômega.
- Gramsci, Antônio (1978): Maquiavel, a política e o Estado moderno. 3 ed. Rio
de Janeiro: Civilização Brasileira.
- Lênin, V. I. (1987): O Estado e a Revolução: o que ensina o marxismo sobre o
Estado e o papel do proletariado na Revolução. São Paulo: Hucitec.
- Lissagaray, Hippolyte Prosper-Olivier (1991): História da Comuna de 1871. São
Paulo: Ensaio.
- Martins, Lilian (1991): Heroínas no combate: a mulher da Comuna”. En Principios,
nº 21. São Paulo: Anita Garibaldi, mayo-julio.
- Marx, Karl (1975): “O 18 Brumário de Luís Bonaparte”. En Marx. 2. ed. São
Paulo: Abril Cultural. (Col. Os Pensadores).
__________ (1977): “A guerra civil na França”. En Marx, K.; Engels, F. (1977):
Textos. 3 v. São Paulo: Alfa-Omega.
- Marx, K; Engels, F (1978): O Manifesto Comunista. 2. ed. Prefácio e
introdução Harold Laski. Rio de Janeiro: Zahar.
- Ruy, José Carlos (1991): “O socialismo está morto. Viva o socialismo!”. En
Principios, nº 21. São Paulo: Anita Garibaldi, mayo-julio.
- Saes, Décio (1994): Estado e Democracia: ensaios teóricos. Campinas:
IFCH/Unicamp. (Col. Trajetória 1)
- Todd, Allan (2000): Las revoluciones. 1789-1917. Madrid: Alianza.
* Artigo publicado originalmente na revista Presença da Mulher.
Postado
por Miro às 12:01
sexta-feira, 7 de março de 2014
INSCREVA-SE NO 4º ENCONTRO NACIONAL DE BLOGUEIROS E ATIVISTAS DIGITAIS
Saiu no Barão de Itararé:
Nos dias 16, 17 e 18 de maio em São Paulo, são aguardados 500 ativistas digitais de todo o país. A organização do encontro disponibilizará hospedagem para os 200 primeiros inscritos de fora da capital paulista e alimentação para os 500 participantes.
Na sexta-feira, 16 de maio, o Encontro Nacional promoverá um Seminário Internacional que se propõe a dar continuidade aos debates do 1º Encontro Mundial de Blogueiros realizado em outubro de 2011 em Foz do Iguaçu (PR). Sete conferencistas internacionais participarão dos debates sobre mídia, poder e América Latina, seguido de um debate sobre a luta pela democratização da mídia no Brasil.
No sábado, 17 de maio, a proposta é retomar a experiência do primeiro encontro nacional realizado em 2010 por meio das desconferêncas. As atividades iniciam com um debate sobre a juventude e a força das novas mídias e será seguido das desconferências, em que serão formados grupos de debates. Nesses grupos, o debate será iniciado por ativistas convidados e todos os participantes terão vez e voz para relatar suas experiências e participar dos debates. Após as desconferências, os grupos voltam a se reunir para um debate sobre a mídia e as eleições de 2014, seguido de uma festa de confraternização.
No domingo, 18 de maio, os debates serão sobre a Carta de São Paulo e ações do movimento de blogueir@s e ativistas digitais.
As inscrições já estão abertas na página blogprog.com.br/inscricoes. As taxas de inscrição são R$ 50 (cinquenta reais) para os participantes em geral e R$ 20 (vinte reais) para estudantes, sendo necessário o envio do comprovante de matrícula na instituição indicada para o emailinscricoes@blogprog.com.br.
Data: 16, 17 e 18 de maio de 2014
Local: São Paulo/SP
Inscrição: blogprog.com.br/inscricoes
Taxa de inscrição: 50 reais para o público em geral e 20 reais para estudantes
***
PROGRAMAÇÃO
16 de maio, sexta-feira
09 horas — Abertura
10 horas — Debate: Mídia, poder e contrapoder
Ignácio Ramonet – fundador do jornal Le Monde Diplomatique (França); *
Pascual Serrano – criador do sítio Rebelion (Espanha); *
Andrés Conteris – Integrante do movimento Democracy Now (Estados Unidos); *
Dênis de Moraes – professor da Universidade Federal Fluminense. *
14 horas — A mídia na América Latina
Osvaldo Leon – integrante da Agência Latina Americana de Informação (Alai-Equador) *
Damian Loreti – professor (Argentina);
Iroel Sánchez – blogueiro cubano; *
Emir Sader – sociólogo e cientista político.
17 horas — A luta pela democratização da mídia no Brasil
Luiza Erundina – coordenadora da Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão (Frentecom);
Rosane Bertoti – coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC);
Laurindo Lalo Leal Filho – professor da USP e ex-ouvidor da Empresa Brasil de Comunicação (EBC);
Luciana Santos – vice-presidente nacional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e deputada federal por Pernambuco.
17 de maio, sábado
9 horas — A juventude e a força das novas mídias
Pablo Capilé – Fora do Eixo;
Renato Rovai – revista Fórum;
Luciano Martins Costa – Observatório da Imprensa;
Jeferson Monteiro – Dilma Bolada;
PC Siqueira – MTV
14 horas — Troca de experiências sobre a blogosfera e o ciberativismo;
18 horas — A mídia e as eleições de 2014
Lula
19 horas — Festa de confraternização.
18 de maio, domingo
10 horas — Plano de ação do movimento nacional de blogueir@s;
Definição do local do V Encontro Nacional, em 2016;
Aprovação da Carta de São Paulo;
Eleição da nova comissão nacional organizadora.
Convidados para iniciar os debates das desconferências:
Marco Weissheimer (RS);
Eliana Tavares (SC);
Esmael Morais (PR);
Tarso Cabral (PR);
Leonardo Sakamoto (SP);
Cynara Menezes (DF);
Miguel do Rosário (RJ);
Fernando Brito (RJ);
Fábio Malini (ES);
Lola Aronovich (CE);
Daniel Pearl (CE);
Altino Machado (AC);
Diógenes “Jimmy” Brandão (PA);
Altino Machado (AC);
Marcos Vinicius (GO);
Jean Wyllys (RJ);
Túlio Viana (MG);
Lucio Flávio Pinto (PA);
Claudio Nunes (SE);
Nelson Triunfo;
Oldack Miranda – Bahia de Fato;
Douglas Belchior – movimento negro, CartaCapital;
Edmilson Costa – PCB;
Valério Arcary – PSTU;
Carta Potiguar (RN);
A história se repete?
Mesmo com diversas indicações durante anos, somente hoje assisti ao vídeo "A Revolução não será televisionada" e cheguei a algumas conclusões:
- Estão tentando repetir a mesma história na Venezuela atualmente;
- Estão tentando repetir a mesma história na Venezuela atualmente;
-Há vários indícios de anúncio de golpe e reacionarismo atualmente no Brasil, e as táticas continuam as mesmas: a mídia é sua principal aliada, manipulando notícias e alienando os telespectadores;
-O povo carece de consciência política bem mais do que celulares e carros;
-A mídia é "escrota" e partidária não só no Brasil, assim como a elite... que acredita no liberalismo e que tem sua riqueza graças a seu trabalho enquanto os pobres "não sabem o valor das coisas", pois são vagabundos;
-A direita nunca se conforma com a derrota e os EUA estarão sempre lá para ajudar. Aliás, onde eles não estão? São como sanguessugas que querem dominar todos os países e seus recursos naturais, pois acabaram com os seus. Sempre com discurso de "bons moços", pela paz e faturam milhões com a indústria Bélica: estão em todas as guerras, financiando, encabeçando, etc (até na Rússia agora, o que já é um pouco de despeito de áureos tempos de Guerra Fria). Luta contra o terrorismo é só com o terror? Afinal, quem são os terroristas?
-Discordando da Marina Silva, não há nada de ruim de ser/ter um governo "chavista", já que este se apresenta como uma real democracia com a conscientização e escolha do povo, contra uma elite conservadora, violenta e reacionária.
-Infelizmente, Lula e o PT fizeram uma aposta arriscada, quando, ao contrário de Chaves, não começaram com a conscientização política do povo e "embate" com a mídia. Deram acesso aos bens de consumo e não competem diretamente com os meios de comunicação, deixando este trabalho para os reles mortais dos blogs sujos. Dessa forma, estes que hoje se beneficiam dos programas sociais e participam do consumo, serão seus opositores amanhã.
-Porém, é de se entender o não embate com a mídia no Brasil, afinal, na Venezuela, Chaves tinha o apoio do exército, já no Brasil, aqueles que torturaram a Dilma e outros companheiros no governo militar, ainda estão em altas patentes esperançosos para retomar o poder com a campanha massiva dos meios de comunicação (como foi há 50 anos atrás). "Ah, no tempo da ditadura era bom, pois não tinha tanta bagunça e violência, a família era respeitada, e blá, blá, blá..." Como conseguem defender esta ideia???
-Porém, é de se entender o não embate com a mídia no Brasil, afinal, na Venezuela, Chaves tinha o apoio do exército, já no Brasil, aqueles que torturaram a Dilma e outros companheiros no governo militar, ainda estão em altas patentes esperançosos para retomar o poder com a campanha massiva dos meios de comunicação (como foi há 50 anos atrás). "Ah, no tempo da ditadura era bom, pois não tinha tanta bagunça e violência, a família era respeitada, e blá, blá, blá..." Como conseguem defender esta ideia???
Por enquanto é isso...
Segue o vídeo, sugiro que vejam o quanto antes, para não perder tal tampo histórico brasileiro que o faz ter mais sentido:
_____________________________________________________________________________
Para encerrar, uma prova dos passos da mídia golpista:
domingo, 2 de março de 2014
Sheherazade convoca “Marcha da Família”
Por Altamiro Borges
Saiu neste sábado (1) na coluna de fofocas de Felipe Patury, da revista Época: “No próximo dia 22, em São Paulo, sai da Praça da República rumo à Catedral da Sé a segunda edição da Marcha da Família com Deus pela Liberdade. A original fez, em 1964, percurso semelhante dias antes de o ex-presidente João Goulart ser derrubado. Há 50 anos, a organização coube a então primeira-dama do estado, Leonor de Barros, e a mulheres de empresários. A atual foi convocada pelas redes sociais, recebeu apoio de lideranças evangélicas e, pelo Facebook, da apresentadora Rachel Sheherazade, do SBT. O grupo diz contar com a simpatia do filósofo Olavo de Carvalho e até de Denise Abreu, a petista que mandou na aviação civil no governo Lula e ficou famosa por sua predileção por charutos”.
De imediato, dei risada! Pensei que era piada carnavalesca. Mas não é. A patética marcha, que relembra a ação dos golpistas em 1964, está marcada para 22 de março e a âncora do SBT, que explora uma concessão pública de tevê, realmente está metida na sua convocação. Em sua página no Facebook, a nova musa de direita conclama seus seguidores: “Gente boa, sempre vou defender a família. Participe da marcha, divulgue, mostre sua defesa em favor dessa instituição criada por Deus”. E Rachel Sheherazade não é ingênua. Ela sabe que a tal marcha nada tem a ver com Deus ou a família, termos usados para enganar os mais ingênuos e tapados. Num dos sítios que convoca a manifestação ficam explícitos os seus objetivos golpistas e fascistóides.
A marcha tem como principal intento exigir “intervenção militar constitucional já”. Entre outras bandeiras, ela prega: “1- destituir a presidente Dilma Rousseff e o vice-presidente Michel Temer; 2- dissolver o Congresso Nacional; 3- prisão de todos os conspiradores por servirem aos interesses estrangeiros através do Foro de São Paulo, uma invasão sigilosa do território nacional executada pelo regime de Cuba através de agentes infiltrados; 4- dissolução de todos os partidos e investigação com punição das organizações integrantes do Foro de São Paulo; 5- Intervenção em todos os governos estaduais e municipais e nos seus respectivos legislativos; 6- combate à corrupção e à subversão; 7- intervenção no STF, cuja presença de ministros simpáticos aos conspiradores é clara e evidente”.
Já um folheto distribuído pelas ruas da capital paulista afirma que “há 50 anos, no dia 19 de março de 1964, nossos pais e avós foram às ruas e conseguiram a redenção do povo brasileiro. Eles tiveram coragem. Agora é a nossa vez”. O panfleto prega “intervenção militar constitucional” e rosna: “Fora o comunismo, o marxismo e as doutrinas vermelhas”; “Não seremos uma nova Cuba nem uma nova Venezuela”. Outro texto critica “a contratação de médicos cubanos e os gastos para a realização de grandes eventos esportivos no Brasil” e conclama: “Todos juntos nas ruas dizendo um não à tirania do PT, em apoio aos irmãos venezuelanos e contra a ditadura esquerdista... Todos em defesa da nossa pátria. Nossa bandeira é verde e amarelo e não foice e martelo”.
A apresentadora do SBT se soma a estas mensagens – um misto de fanatismo direitista e maluquice fascista. Em sua página no Facebook, os fiéis seguidores elogiam sua “coragem” e chegam a lançá-la para disputar cargos eletivos. Amilton Augusto, por exemplo, defende “Joaquim Barbosa (presidente) e Rachel Sheherazade (vice-presidente)”. Elias Machado comenta: “Não sei se ela tem vocação política, mas seria uma ótima opção para presidente”. Já Arthur Roque declara: “Eu apoio a intervenção militar. Somente isto para acabar com esta corja de comunistas. Está na hora do pau! Avante general Heleno, avante Jair Bolsonaro”. Só falta a emissora de Silvio Santos estampar uma convocatória para a "Marcha da Família"!
******
Fonte: http://altamiroborges.blogspot.com.br/2014/03/sheherazade-convoca-marcha-da-familia.html
Saiu neste sábado (1) na coluna de fofocas de Felipe Patury, da revista Época: “No próximo dia 22, em São Paulo, sai da Praça da República rumo à Catedral da Sé a segunda edição da Marcha da Família com Deus pela Liberdade. A original fez, em 1964, percurso semelhante dias antes de o ex-presidente João Goulart ser derrubado. Há 50 anos, a organização coube a então primeira-dama do estado, Leonor de Barros, e a mulheres de empresários. A atual foi convocada pelas redes sociais, recebeu apoio de lideranças evangélicas e, pelo Facebook, da apresentadora Rachel Sheherazade, do SBT. O grupo diz contar com a simpatia do filósofo Olavo de Carvalho e até de Denise Abreu, a petista que mandou na aviação civil no governo Lula e ficou famosa por sua predileção por charutos”.
De imediato, dei risada! Pensei que era piada carnavalesca. Mas não é. A patética marcha, que relembra a ação dos golpistas em 1964, está marcada para 22 de março e a âncora do SBT, que explora uma concessão pública de tevê, realmente está metida na sua convocação. Em sua página no Facebook, a nova musa de direita conclama seus seguidores: “Gente boa, sempre vou defender a família. Participe da marcha, divulgue, mostre sua defesa em favor dessa instituição criada por Deus”. E Rachel Sheherazade não é ingênua. Ela sabe que a tal marcha nada tem a ver com Deus ou a família, termos usados para enganar os mais ingênuos e tapados. Num dos sítios que convoca a manifestação ficam explícitos os seus objetivos golpistas e fascistóides.
A marcha tem como principal intento exigir “intervenção militar constitucional já”. Entre outras bandeiras, ela prega: “1- destituir a presidente Dilma Rousseff e o vice-presidente Michel Temer; 2- dissolver o Congresso Nacional; 3- prisão de todos os conspiradores por servirem aos interesses estrangeiros através do Foro de São Paulo, uma invasão sigilosa do território nacional executada pelo regime de Cuba através de agentes infiltrados; 4- dissolução de todos os partidos e investigação com punição das organizações integrantes do Foro de São Paulo; 5- Intervenção em todos os governos estaduais e municipais e nos seus respectivos legislativos; 6- combate à corrupção e à subversão; 7- intervenção no STF, cuja presença de ministros simpáticos aos conspiradores é clara e evidente”.
Já um folheto distribuído pelas ruas da capital paulista afirma que “há 50 anos, no dia 19 de março de 1964, nossos pais e avós foram às ruas e conseguiram a redenção do povo brasileiro. Eles tiveram coragem. Agora é a nossa vez”. O panfleto prega “intervenção militar constitucional” e rosna: “Fora o comunismo, o marxismo e as doutrinas vermelhas”; “Não seremos uma nova Cuba nem uma nova Venezuela”. Outro texto critica “a contratação de médicos cubanos e os gastos para a realização de grandes eventos esportivos no Brasil” e conclama: “Todos juntos nas ruas dizendo um não à tirania do PT, em apoio aos irmãos venezuelanos e contra a ditadura esquerdista... Todos em defesa da nossa pátria. Nossa bandeira é verde e amarelo e não foice e martelo”.
A apresentadora do SBT se soma a estas mensagens – um misto de fanatismo direitista e maluquice fascista. Em sua página no Facebook, os fiéis seguidores elogiam sua “coragem” e chegam a lançá-la para disputar cargos eletivos. Amilton Augusto, por exemplo, defende “Joaquim Barbosa (presidente) e Rachel Sheherazade (vice-presidente)”. Elias Machado comenta: “Não sei se ela tem vocação política, mas seria uma ótima opção para presidente”. Já Arthur Roque declara: “Eu apoio a intervenção militar. Somente isto para acabar com esta corja de comunistas. Está na hora do pau! Avante general Heleno, avante Jair Bolsonaro”. Só falta a emissora de Silvio Santos estampar uma convocatória para a "Marcha da Família"!
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Fonte: http://altamiroborges.blogspot.com.br/2014/03/sheherazade-convoca-marcha-da-familia.html
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quinta-feira, 6 de março de 2014
Agora o discurso é que o julgamento é político, antes não?
A competência dos ministros atuais STF está sendo
questionada, mas do julgamento anterior não?
Para quem tiver paciência e curiosidade política,
vale a pena ver o vídeo abaixo.
O corpo fala: a segurança e calma é comum aos que possuem
coerência em suas ações e argumentos fundamentados; já a agitação, movimento
constante das mãos e do corpo, inquietude, não deixar o outro falar (e arbitrariedade)
... deixo para que meus leitores interpretem...
Afinal, como um grande grupo de brasileiros defendem
desde o início do processo: NÃO HÁ PROVAS de desvio de verba pública, mas um
empréstimo (ainda que “caixa 2”) e NÃO HÁ VALORAÇÃO DO CRIME DE QUADRILHA.
Não por acaso foram milhares de doações legais e
legítimas para pagamento da dívida do Genoino e Dirceu.
Viva os blogs sujos!!! Pois se dependesse dos meios
de comunicação de massa (aí incluo os que se acham “menos massa” que leem Folha
de São Paulo, Veja e terminam com o Jornal da Globo).
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As semelhanças entre 1964 e 2014 (agora o golpe é da mídia partidária)
As semelhanças entre 1964 e 2014
ter, 04/03/2014 - 10:04 - Atualizado em
04/03/2014 - 13:16
Santos Vahlis, hoje em dia, é mais conhecido pelos edifícios
que deixou no Rio de Janeiro e pelas festas que proporcionou nos anos 50. Foi
um dos grandes construtores do bairro de Copacabana.
Venezuelano, mudou-se para o Brasil, trabalhou com a
importação de gasolina e tentou se engatar nas concessões de refinarias no
governo Dutra. Foi derrotado pela maior influência dos grupos cariocas já
estabelecidos.
Nos anos seguintes, foi um dos financiadores da campanha do
general Estillac Leal para a presidência do Clube Militar, em torno da bandeira
do monopólio estatal do petroleo. Torna-se amigo de Leonel Brizola, defensor de
Jango.
Provavelmente graças ao fato de ser bom cliente dos jornais,
com seus anúncios imobiliários, tinha uma coluna no Correio da Manhã, cujo
ghost writer era o grande Franklin de Oliveira.
Tentou adquirir o jornal “A Noite” para fortalecer a
imprensa pró-Jango. Foi atropelado pelo pessoal do IBAD (Instituto Brasileiro
de Ação Democrática) que, em vez de comprar o jornal, comprou sua opinião por
Cr$ 5 milhões. A CPI que investigou a transação teve como integrante o deputado
Ruben Paiva.
Por sua atuação, Vahlis sofreu ataques de toda ordem. Contra
ele, levantaram a história de que teria feito uma naturalização ilegal. Em
1961, em pleno inverno, foi preso e jogado nu em uma cela de cadeia, a ponto do
detetive que o prendeu temer por sua vida.
Como era possível a perseguição implacável dos IPMs
(Inquéritos Policial Militares), de delegados e dos Ministérios Públicos
estaduais, contra aliados do próprio governo?
Esse mesmo fenômeno observou-se nos últimos anos, com os
abusos cometidos no julgamento da AP 470, envolvendo não um ou dois Ministros
do STF (Supremo Tribunal Federal), mas cinco, seis deles, endossando
arbitrariedades que escandalizaram juristas conservadores.
Características da democracia
Para tentar entender o fenômeno, andei trabalhando em um
estudo que pretendo apresentar no evento “50 anos da ditadura”, que ocorrerá a
partir da semana que vem no Recife.
Aqui, um pequeno quadro esquemático que explica porque 2014
é tão semelhante a 1964 – embora torçamos por um desfecho diferente.
1. A democracia é um processo
permanente de inclusões sucessivas. Também é o regime de maior instabilidade (e
medo) das pessoas. Nos regimes autoritários, na monarquia, nos sistemas de
castas, não há ascensão vertical das pessoas – nem sua queda. Na democracia de
mercado há a instabilidade permanente, mesmo para os bem situados. Teme-se o
dia seguinte, a perda do emprego, das posses, do status.
2. Além disso, há repartição entre
os poderes que abre espaço para a montagem de alianças e acordos econômicos,
nos quais os grandes grupos econômicos se aliam aos grupos de mídia, através
deles infuenciam os diversos poderes de Estado.
3. Cada época de inclusão gera novas
classes de incluídos que cumprem seu papel de entrar no mercado de trabalho,
ganhar capacidade de consumo e, no momento seguinte, cidadania e capacidade de
organização. Gera resistências tanto na classe média (medo da perda de status)
quanto nos de cima (perda de influência).
Aí, cria-se uma divisão no mercado de opinião que será
explorado a seguir.
O mercado de opinião
Simplificadamente, dividi o mercado de
opinião em dois grupos.
O primeiro é o mercado liderado pelos Grupos de Mídia. Por definição,
é um mercado que influencia preponderantemente os setores já estabelecidos que
já passaram pela fase da inclusão, do emprego, da carreira, integrando-se no
mercado de opinião aos estabelecidos da fase anterior.
Por suas características, os grupos mais resistentes ao novo
são os estamentos militar, jurídico, alta hierarquia pública e a alta e
média classes médias – especialmente os estamentos que trabalham em grandes
companhias hierarquizadas. E também a classe média profissional liberal, que
depende de redes de relacionamentos.
A razão é simples. Vivem em estruturas burocráticas,
hierarquizadas, nas quais cumprem uma carreira, sujeitando-se a promoções ao
longo de sua vida útil. Por isso mesmo, a renovação se dá de forma muito lenta,
proporcional à lentidão com que mudam os lugares nessas corporações. São os
mais apegados ao status quo.
Por todas essas características – da insegurança, da
carreira construída passo a passo – esses grupos são extremamente influenciados
por movimentos de manada. Por segurança, querem pensar do mesmo modo que a
maioria, ou que o status quo do seu grupo (ou de suas chefias).
Esse grupo pode ser denominado conceitualmente de opinião
pública midiática. Ele detém o poder, a capacidade de influenciar leis,
julgamentos, posições.
Mas não detém voto. Mesmo porque, quem têm votos é a
maioria.
O segundo grupo é o dos novos incluídos econômicos e dos
incluídos políticos mas que não tem posição de hegemonia. Entram aí sindicatos,
organizações sociais, o povão pré-organização etc, enfim, a maioria da
população – especialmente em países com tão grandes diferenças de renda. E
entra o Congresso Nacional.
Os canais de informação desse público são os sindicatos,
organizações sociais e os partidos políticos.
É um público que detém os votos, mas não detém poder.
O conflito entre poder e voto
Em cada período de inclusão, o partido que entende as
necessidades dos incluídos ganha as eleições. Foi assim nos EUA com o Partido
Republicano no século 19, com o Partido Democrata no século 20.
Processos de inclusão diminuem as diferenças de renda,
ampliam a classe média e, quando o país se civiliza, garantem a estabilidade
política – porque a maioria se torna classe média.
Mas em países culturalmente atrasados – como o Brasil –
qualquer gesto em direção à inclusão sofre enormes resistências dos setores
tradicionais.
Não se trata de viés político, ideológico (no sentido mais
amplo), mas de atraso mesmo, um atraso entranhado, anti-civilizatório,
que atinge não apenas os hommers simpsons, mas acadêmicos conservadores,
magistrados, empresários sem visão. E, especialmente, os grupos de mídia. Os de
baixo temem perder status; os de cima, temem perder poder.
O partido que entende os novos movimentos colhe leitor de
baciada.
O único fator capaz de derrubá-lo são as crises econômicas
(o fenômeno do populismo é o de procurar satisfazer de qualquer maneira as
massas descuidando-se da economia) ou o golpe.
A reação através do golpe
Sem perspectivas eleitorais, os segmentos incluídos na
chamada opinião pública midiática recorrem ao golpismo puro e simples.
Consiste em fomentar diuturnamente o discurso do ódio e
levar a vendetta para o campo jurídico-policial. É o que levou à prisão de
Santos Vahlis e aos abusos da AP 470.
1.
Para mobilizar a classe média, a mídia levanta fantasmas capazes de despertar
medos ancestrais: o fantasma do comunismo, que destroi famílias e propriedades,
do golpe que estaria sendo preparado pelo governo, da corrupção que se alastra
etc.
2. A campanha midiática cria o clima
de ódio que se torna cada vez mais vociferante quanto menores são as chances de
mudar o governo pela via eleitoral.
3. Com a influência sobre o Judiciário e o
Ministério Público, além de denúncias concretas, qualquer fato vira denúncia
grave e, na ponta, haverá um inquérito para criminaliza-lo.
4. Aí se entra no ponto central: as
agressões, os atentados ao direito, as manipulações provocam reações entre
aliados do governo. Qualquer reação, por mais insignificante, serve para
alimentar a versão de que o governo planeja um golpe. O ponto central do golpe
consiste em fomentar reações que materializem as suspeitas de que é o governo
que planeja o golpe.
É nesse ponto que o golpismo e o radicalismo de esquerda se
dão as mãos.
Confiram esse vídeo aqui do Arnaldo Jabor, sobre uma
proposta de um deputado obscuro do PT. O próprio Jabor considera-o obscuro. Mas
repare nas conclusões que tira. Foi buscá-las em uma nave do tempo diretamente
de 1964
O grande problema de Jango foram os aliados iludidos pela
revolução cubana e pela própria campanha da mídia - que superestimava,
intencionalmente, os poderes das ligas camponesas e quetais.
O histórico trabalho de Wanderley Guilherme dos Santos, em
1962, expos de forma magistral e trágica como se dava essa manipulação
das reações.
Esse mesmo clima em relação às ligas camponesas, a mídia
tentou recriar com as fantasias sobre a influências das Farcs no Brasil, sobre
os dólares cubanos transportados em garrafas de rum e um sem-número de artigos
de colunistas denunciando o suposto autoritarismo de Lula.
Lula e Dilma fugiram à armadilha, recorrendo ao que chamei,
na época, de republicanismo ingênuo, às vezes até com um cuidado excessivo.
Não tomaram nenhuma atitude contra a mídia; não pressionaram
o STF; têm sido cautelosos de maneira até exagerada; não permitiram que o PT
saísse às ruas em protesto contra os abusos da AP 470.
Apesar de entender esse caminho, Jango não conseguiu segurar
os seus. Houve radicalização intensa, conduzida por Leonel Brizola e Darcy
Ribeiro, pelo PCB de Luiz Carlos Prestes e por lideranças sindicais, que
acabaram proporcionando o álibi de que os golpistas precisavam.
Hoje em dia não há mais a guerra fria, não há uma
republiqueta encravada em um continente golpista, não há o descuido com a
economia.
No entanto, há um ponto em comum nos dois períodos: o ódio
que a campanha midiática provocou em diversos setores de classe média crescerá
em razão inversamente proporcional ao crescimento eleitoral da oposição. E o
mote central será essa a Copa do Mundo e o mote de que o governo gastou em
estádios o dinheiro da saúde.
Há uma guerra de comunicação central.
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O verdadeiro golpe
É MEU DEVER DIZER AOS JOVENS O QUE É UM GOLPE DE
ESTADO
**Há cheiro de 1964 no ar. Não apenas
no Brasil, mas também nas vizinhanças. Acho então que é chegada a hora de dar o
meu depoimento.
Dizer a vocês, jovens de 20, 30, 40
anos de meu Brasil, o que é de fato uma ditadura.
Se a Ditadura Militar tivesse sido
contada na escola, como são a Inconfidência Mineira e outros episódios pontuais
de usurpação da liberdade em nosso país, eu não estaria me vendo hoje obrigada
a passar sal em minhas tão raladas feridas, que jamais pararam de sangrar.
Fazer as feridas sangrarem é
obrigação de cada um dos que sofreram naquele período e ainda têm voz para
falar.
Alguns já se calaram para sempre.
Outros, agora se calam por vontade própria. Terceiros, por cansaço. Muitos, por
desânimo. O coração tem razões…
Eu falo e eu choro e eu me sinto um
bagaço. Talvez porque a minha consciência do sofrimento tenha pegado meio no
tranco, como se eu vivesse durante um certo tempo assim catatônica, sem prestar
atenção, caminhando como cabra cega num cenário de terror e desolação,
apalpando o ar, me guiando pela brisa. E quando, finalmente, caiu-me a venda,
só vi o vazio de minha própria cegueira.
Meu irmão, meu irmão, onde estás? Sequer o corpo jamais tivemos.
Outro dia, jantei com um casal de
leais companheiros dele. Bronzeados, risonhos, felizes. Quando falei do
sofrimento que passávamos em casa, na expectativa de saber se Tuti estaria
morto ou vivo, se havia corpo ou não, ouvi: “Ah, mas se soubessem como éramos
felizes… Dormíamos de mãos dadas e com o revólver ao lado, e éramos
completamente felizes”. E se olharam, um ao outro, completamente felizes.
Ah, meu deus, e como nós, as famílias dos que morreram, éramos e somos completamente infelizes!
Ah, meu deus, e como nós, as famílias dos que morreram, éramos e somos completamente infelizes!
A ditadura militar aboletou-se no
Brasil, assentada sobre um colchão de mentiras ardilosamente costuradas para
iludir a boa fé de uma classe média desinformada, aterrorizada por perversa
lavagem cerebral da mídia, que antevia uma “invasão vermelha”, quando o que, de
fato, hoje se sabe, navegava célere em nossa direção, era uma frota americana.
Deu-se o golpe! Os jovens
universitários liberais e de esquerda não precisavam de motivação mais
convincente para reagir. Como armas, tinham sua ideologia, os argumentos, os
livros. Foram afugentados do mundo acadêmico, proibidos de estudar, de
frequentar as escolas, o saber entrou para o índex nacional engendrado pela
prepotência.
As pessoas tinham as casas invadidas, gavetas reviradas, papéis e livros confiscados. Pessoas eram levadas na calada da noite ou sob o sol brilhante, aos olhos da vizinhança, sem explicações nem motivo, bastava uma denúncia, sabe-se lá por que razão ou partindo de quem, muitas para nunca mais serem vistas ou sabidas. Ou mesmo eram mortas à luz do dia. Ra-ta-ta-ta-tá e pronto.
As pessoas tinham as casas invadidas, gavetas reviradas, papéis e livros confiscados. Pessoas eram levadas na calada da noite ou sob o sol brilhante, aos olhos da vizinhança, sem explicações nem motivo, bastava uma denúncia, sabe-se lá por que razão ou partindo de quem, muitas para nunca mais serem vistas ou sabidas. Ou mesmo eram mortas à luz do dia. Ra-ta-ta-ta-tá e pronto.
E todos se calavam. A grande
escuridão do Brasil. Assim são as ditaduras. Hoje ouvimos falar dos horrores
praticados na Coreia do Norte. Aqui não foi muito diferente. O medo era igual.
O obscurantismo igual. As torturas iguais. A hipocrisia idêntica. A aceitação
da sobrevivência. Ame-me ou deixe-me. O dedurismo. Tudo igual. Em número menor
de indivíduos massacrados, mas a mesma consistência de terror, a mesma
impotência.
Falam na corrupção dos dias de hoje. Esquecem-se de falar nas de ontem. Quando cochichavam sobre “as malas do Golbery” ou “as comissões das turbinas”, “as compras de armamento”. Falavam, falavam, mas nada se apurava, nada se publicava, nada se confirmava, pois não havia CPI, não havia um Congresso de verdade, uma imprensa de verdade, uma Justiça de verdade, um país de verdade.
Falam na corrupção dos dias de hoje. Esquecem-se de falar nas de ontem. Quando cochichavam sobre “as malas do Golbery” ou “as comissões das turbinas”, “as compras de armamento”. Falavam, falavam, mas nada se apurava, nada se publicava, nada se confirmava, pois não havia CPI, não havia um Congresso de verdade, uma imprensa de verdade, uma Justiça de verdade, um país de verdade.
E qualquer empresa, grande, média ou
mínima, para conseguir se manter, precisava obrigatoriamente ter na diretoria
um militar. De qualquer patente. Para impor respeito, abrir portas, estar imune
a perseguições. Se isso não é um tipo de aparelhamento, o que é, então? Um
Brasil de mentirinha, ao som da trilha sonora ufanista de Miguel Gustavo.
Minha família se dilacerou. Meu irmão
torturado, morto, corpo não sabido. Minha mãe assassinada, numa pantomima de
acidente, só desmascarada 22 anos depois, pelo empenho do ministro José
Gregory, com a instalação da Comissão dos Mortos e Desaparecidos Políticos no
governo Fernando Henrique Cardoso.
Meu pai, quatro infartos e a decepção
de saber que ele, estrangeiro, que dedicou vida, esforço e economias a manter
um orfanato em Minas, criando 50 meninos brasileiros e lhes dando ofício, via o
Brasil roubar-lhe o primogênito, Stuart Edgar, somando no nome homenagens aos
seus pai e irmão, ambos pastores protestantes americanos – o irmão, assassinado
por membro louco da Ku Klux Klan. Tragédia que se repetia.
Minha irmã, enviada repentinamente
para estudar nos Estados Unidos, quando minha mãe teve a informação de que sua
sala de aula, no curso de Ciências Sociais, na PUC, seria invadida pelos
militares, e foi, e os alunos seriam presos, e foram. Até hoje, ela vive no
exterior.
Barata tonta, fiquei por aí, vagando
feito mariposa, em volta da fosforescência da luz magnífica de minha profissão
de colunista social, que só me somou aplausos e muitos queridos amigos, mas
também uma insolente incompreensão de quem se arbitrou o insano direito de me
julgar por ter sobrevivido.
Outra morte dolorida foi a da atriz,
minha verdadeira e apaixonada vocação, que, logo após o assassinato de minha
mãe, precisei abdicar de ser, apesar de me ter preparado desde a infância para
tal e já ter então alcançado o espaço próprio. Intuitivamente, sabia que
prosseguir significaria uma contagem regressiva para meu próprio fim.
Hoje, vivo catando os retalhos
daquele passado, como acumuladora, sem espaço para tantos papéis, vestidos,
rabiscos, memórias, tentando me entender, encontrar, reencontrar e viver apesar
de tudo, e promover nessa plantação tosca de sofrimentos uma bela colheita:
lembrar os meus mártires e tudo de bom e de belo que fizeram pelo meu país,
quer na moda, na arte, na política, nos exemplos deixados, na História, através
do maior número de ações produtivas, efetivas e criativas que eu consiga
multiplicar.
E ainda há quem me pergunte em quê a
Ditadura Militar modificou minha vida!
Hildegard Angel
Hildegard Angel
**O primeiro parágrafo original deste
texto, que fazia referência à possível iminente tomada do poder de um governo
eleito democraticamente, na Venezuela, foi trocado pela frase sucinta aqui
vista agora, às 15h06m deste dia 24/02/2014, porque o foco principal do assunto
(a ditadura brasileira) foi desviado nos comentários. Meus ombros já são
pequenos para arcarem com a nossa tragédia. Que dirá com a da Venezuela!
*** Pelo mesmo motivo acima exposto,
os comentários que se referiam à questão na Venezuela referida no antigo
primeiro parágrafo foram retirados pois perderam o sentido no contexto.Pedindo
desculpa aos autores dos textos, muitos deles objeto de reflexão honesta e
profunda, e merecedores de serem conhecidos, mas não há motivação para
mantê-los aqui no ar. O nível de truculência a que levou a discussão não me
permite estimulá-la.
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