sexta-feira, 2 de abril de 2010

História da Filosofia

FILOSOFIA ANTIGA

Panorama dos pré-socráticos ao helenismo

Heidi Strecker*
Especial para Página 3 Pedagogia & Comunicação
Platão (esq.) e Aristóteles, em detalhe do quadro de Rafaello
A filosofia é um saber específico e tem uma história que já dura mais de 2.500 anos. A filosofia nasceu na Grécia antiga - costumamos dizer - com os primeiros filósofos, chamados pré-socráticos. Mas a filosofia não é compreendida hoje apenas como um saber específico, mas também como uma atitude em relação ao conhecimento, o que faz com que seus temas, seus conceitos e suas descobertas sejam constantemente retomados.
A história da filosofia coloca em perspectiva o conhecimento filosófico e apresenta textos e autores que fundamentam nosso conhecimento até hoje.
A história da filosofia na Antigüidade pode ser dividida em três grandes períodos: o período pré-socrático, a Grécia clássica e a época helenística.

Pré-socráticos

Os filósofos que viveram antes da época de Sócrates, como Parmênides e Heráclito, investigaram a origem das coisas e as transformações da natureza. De seus textos só restaram fragmentos. O conhecimento especulativo no período pré-socrático não se distinguia dos outros conhecimentos, como a astronomia, a matemática ou a física.
Tales de Mileto foi o primeiro pensador que podemos chamar de filósofo. Como outros pré-socráticos, Tales dedicou-se a caracterizar o princípio ou a matéria de que é feito o mundo. Sustentou que este princípio era a água.

A Grécia clássica

No período clássico, a filosofia vinculou-se a um momento histórico privilegiado - o da Grécia clássica. Nesse período, que compreende os séculos 5 a.C. e 4 a.C., a civilização grega conheceu seu apogeu, com o esplendor da cidade de Atenas. Essa cidade-estado dominou a Grécia com seu poderio militar e econômico.
Adotando a democracia como sistema político, Atenas assistiu a um florescimento admirável das ciências e das artes. Foi esse período histórico que deu origem ao pensamento dos três maiores filósofos da Antigüidade: Sócrates, Platão e Aristóteles.
Sócrates não deixou uma obra escrita, mas conhecemos seu pensamento através das obras de seu discípulo Platão. Este não escreveu uma obra sistemática, organizada de forma lógica e abstrata, mas sim um rico conjunto de textos em forma de diálogo, em que diferentes temas são discutidos. Os diálogos de Platão estão organizados em torno da figura central de seu mestre - Sócrates.

Platão e Aristóteles

O conhecimento é resultado do convívio entre homens que discutem de forma livre e cordial. No livro "A República", por exemplo, temos um grupo de amigos que incluem o filósofo Sócrates, dois irmãos de Platão - Glauco e Adimanto - e vários outros personagens, que serão provocados pelo mestre. O diálogo vai tratar de assuntos relacionados à organização da sociedade e à natureza da política. A palavra política vem do grego polis, que significa cidade ou Estado.
Aristóteles - ao contrário de Platão - criou uma obra sistemática e ordenada. A filosofia aristotélica cobre diversos campos do conhecimento, como a lógica, a retórica, a poética, a metafísica e as diversas ciências. No livro "A Política", Aristóteles entende a ciência política como desdobramento de uma ética, cuja principal formulação encontra-se no livro "Ética a Nicômaco".

Helenismo

O período helenístico corresponde ao final do século 3 a.C. (período que se sucede à morte de Alexandre Magno, em 323 a.C.) e se estende, segundo alguns historiadores, até o século 6 d.C. As preocupações filosóficas fundamentais voltam-se para as questões morais, para a definição dos ideais de felicidade e virtude e para o saber prático.

FILOSOFIA MEDIEVAL

 Filósofos cristãos conciliaram fé e razão

Heidi Strecker*
Com a dissolução do Império romano, as invasões bárbaras e o desaparecimento das instituições, os centros de difusão cultural também se desagregaram. Os chamados "pais da igreja" foram os primeiro filósofos a defender a fé cristã nos primeiros séculos, até aproximadamente o século 8.
Os padres da igreja foram os filósofos que, nesse período, tentaram conciliar a herança clássica greco-romana, com o pensamento cristão. Essa corrente filosófica é conhecida como patrística. A filosofia patrística começa com as epístolas de São Paulo e o evangelho de São João. Essa doutrina tinha também um propósito evangelizador: converter os pagãos à nova religião cristã.
Surgiram idéias e conceitos novos, como os de criação do mundo, pecado original, trindade de Deus, juízo final e ressurreição dos mortos. As questões teológicas, relativas às relações entre fé e razão, ocuparam as reflexões dos principais pensadores da filosofia cristã.

Santo Agostinho e a interioridade

Santo Agostinho (354-430) foi o primeiro grande filósofo cristão. Uma de suas principais formulações foi a idéia de interioridade, isto é, de uma dimensão humana dotada de consciência moral e livre arbítrio.
As idéias filosóficas tornam-se verdades reveladas (reveladas por Deus, através da Bíblia e dos santos) e inquestionáveis. Tornaram-se dogmas. A partir da formulação das idéias da filosofia cristã, abre-se a perspectiva de uma distinção entre verdades reveladas e verdades humanas. Surge a distinção entre a fé e a razão.
O conhecimento recebido de Deus torna-se superior ao conhecimento racional. Em decorrência desta própria dicotomia, surge a discussão em torno da possibilidade de conciliação entre fé e razão.

Escolástica e Tomas de Aquino

A partir do século 12, a filosofia medieval é conhecida como escolástica. Surgem as universidades e os centros de ensino e o conhecimento é guardado e transmitido de forma sistemática. Platão e Aristóteles, os grandes pensadores da Antiguidade, também foram as principais influências da filosofia escolástica. Nesse período, a filosofia cristã alcançou um notável desenvolvimento. Criou-se uma teologia, preocupada em provar a existência de Deus e da alma.
O método da escolástica é o método da disputa. A disputa consiste na apresentação de uma tese, que pode ser defendida ou refutada por argumentos. Trata-se de um pensamento subordinado a um princípio de autoridade (os argumentos podem ser tirados dos antigos, como Platão e Aristóteles, dos padres da igreja ou dos homens da igreja, como os papas e os santos).
O filósofo mais importante desse período é São Tomás de Aquino, que produziu uma obra monumental, a "Suma Teológica", elaborando os princípios da teologia cristã.

FILOSOFIA MODERNA

A razão: do Renascimento ao Iluminismo

Heidi Strecker*
No período do Renascimento (séculos 15 e 16), o mundo assistiu a profundas transformações no campo da política, da economia, das artes e das ciências. O Renascimento retomou valores da cultura clássica (representada pelos autores gregos e latinos), como a autonomia de pensamento e o uso individual da razão, em oposição aos valores medievais, como o domínio da fé e a autoridade da Igreja.

No campo político, o principal autor do Renascimento foi Maquiavel, autor de "O Príncipe". Maquiavel elaborou uma teoria política fundamentada na prática e na experiência concreta. Durante o período medieval, o poder político era concebido como presente divino e os teólogos elaboraram suas teorias políticas baseados nas escrituras sagradas e no direito romano.
Uma outra obra representativa desse momento filosófico é o "Elogio da Loucura", de Erasmo de Roterdã. Ao elaborar uma obra ao mesmo tempo literária e filosófica, Erasmo usa a palavra para afirmar valores humanos e denunciar a hipocrisia, ridicularizando papas, filósofos ou príncipes. As mudanças dessa época de crise prepararam o caminho para o despontar do racionalismo clássico.

Racionalismo clássico

O século 17 foi um dos períodos mais fecundos para a história da filosofia. Marcado pelo absolutismo monárquico (concentração de todos os poderes nas mãos do rei) e pela Contra-Reforma (reafirmação da doutrina católica em oposição ao crescimento do protestantismo), essa época acolheu as grandes criações do espírito científico, como as teorias de Galileu Galilei e o experimentalismo de Francis Bacon.
Recusando a autoridade dos filósofos que o antecederam, René Descartes foi o maior expoente do chamado "racionalismo clássico" - uma época que deu ao mundo filósofos tão brilhantes como Blaise Pascal, Thomas Hobbes, Baruch Espinoza, John Locke e Isaac Newton.
Embora sempre tenha sido objeto da reflexão dos filósofos, o problema do conhecimento tornou-se mais agudo a partir do século 17. Com os filósofos modernos (em oposição aos filósofos medievais e os da Antiguidade), a teoria do conhecimento tornou-se uma disciplina filosófica independente. O pensamento passou a voltar-se para si mesmo. O pensamento (sujeito do conhecimento) passou a ser também o seu objeto. Em outras palavras: o homem começou a pensar nas suas próprias maneiras de pensar e entender o mundo.

Racionalismo e empirismo

Os filósofos formularam basicamente duas respostas diferentes para a questão do conhecimento - o racionalismo e o empirismo.
Para os racionalistas, como René Descartes, o conhecimento verdadeiro é puramente intelectual. A experiência sensível precisa ser separada do conhecimento verdadeiro. A fonte do conhecimento é a razão.
Para os empiristas, como John Locke e David Hume, o conhecimento se realiza por graus contínuos, desde a sensação até atingir as idéias. A fonte do conhecimento é a experiência sensível.

O iluminismo

No século 18, a razão é vista também como guia para a discussão do problema moral (o problema da ação humana) e o filósofo é entendido como aquele que faz uso público da razão, ao usar sua liberdade de pensar diante de um público letrado.
Immanuel Kant foi um filósofo de grande reputação, um dos maiores pensadores da filosofia do Iluminismo (movimento cultural do século 17 e 18, caracterizado pela valorização da razão como instrumento para alcançar o conhecimento).
Como autêntico representante da filosofia do século 18, era defensor incondicional do papel da razão no progresso do homem. Ao buscar fundamentar na razão os princípios gerais da ação humana, Kant elaborou as bases de toda a ética que viria a seguir. A formulação do famoso "imperativo categórico" guiou seu pensamento no campo da moral e dos costumes. Kant criou duas obras magistrais, a "Crítica da Razão Pura"(1781) e "Crítica da Razão Prática" (1788).
O Iluminismo foi também a filosofia que norteou a Revolução Francesa, e teve em filósofos como Voltaire, Jean-Jacques Rousseau e Denis Diderot seus grandes expoentes.

FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA

Fenomenologia, existencialismo

Heidi Strecker*
Especial para Página 3 Pedagogia & Comunicação
O mundo em que vivemos, das telecomunicações, da internet, dos programas espaciais, da física quântica, ou da medicina de alta tecnologia parece não ter lugar para a filosofia. Onde está a filosofia? O filósofo Bertrand Russel pensou nessa questão:

A filosofia, como todos os outros estudos, visa em primeiro lugar ao conhecimento. O conhecimento a que ela aspira é o tipo de conhecimento que dá unidade e sistematiza o corpo das ciências, e que resulta de um exame crítico dos fundamentos de nossas convicções, preconceitos e crenças.
Bertrand Russell, Os problemas da filosofia

Isso mesmo. Essa é uma das definições de filosofia: ela é uma disciplina que estuda os fundamentos de nossas convicções. No entanto, enquanto as ciências estabelecem um corpo sólido de conhecimentos e verdades a partir do qual passam a se desenvolver, a filosofia não alcança os mesmos resultados. Ela não dá respostas definitivas a nenhuma questão. E agora? O próprio Bertrand Russel matou a charada:

Isto se deve em parte ao fato de que, assim que o conhecimento definitivo a respeito de qualquer assunto torna-se possível, esse assunto deixa de ser chamado de filosofia, e torna-se uma ciência independente. O estudo total dos céus, que agora pertence à astronomia, foi um dia incluído na filosofia; a grande obra de Newton chamava-se ‘princípios matemáticos de filosofia natural’. Do mesmo modo, o estudo da mente humana, que fazia parte da filosofia, agora foi separado da filosofia e tornou-se a ciência da psicologia. Assim, em grande medida, a incerteza da filosofia é mais aparente que real: as questões que são capazes de ter respostas definitivas são abrigadas nas ciências, enquanto aquelas para as quais, até o presente, não podem ser dadas respostas definitivas, continuam a formar o resíduo que é chamado de filosofia.

Estamos mergulhados num mundo que não cessa de colocar novas questões para a filosofia. Por isso mesmo, não é fácil reconhecer o que é a filosofia contemporânea. Estamos perto demais. Percebemos a filosofia do passado com mais clareza e mais coesão do que percebemos a filosofia que se faz hoje.
Mas vamos lá! Chamamos de filosofia contemporânea aquela que teve início no século 19, atravessou o século 20 e chegou até os dias de hoje.
A filosofia contemporânea fundamenta-se em alguns conceitos que foram elaborados no século 19. Um desses conceitos é o conceito de história, que foi formulado pelo filósofo G.W.F. Hegel. A filosofia de Hegel relaciona-se com as idéias de totalidade e de processo. Passamos a entender o homem como um ser histórico, assim como a sociedade.
Uma das conseqüências dessa percepção é a idéia de progresso. O filósofo Auguste Comteordem e progresso, é inspirado nas idéias de Comte). foi um dos principais teóricos a pensar essa questão. Tanto a razão quanto o saber científico caminham na direção do desenvolvimento do homem (o lema da bandeira brasileira,
As utopias políticas elaboradas no século 19, como o anarquismo, o socialismo e o comunismo, também devem muito à idéia de desenvolvimento e progresso, como caminho para uma sociedade justa e feliz.

Progresso descontínuo

A idéia de que a história fosse um movimento contínuo e progressivo em direção ao aperfeiçoamento sofreu duras restrições durante o século 20.
No século 20, porém, formou-se a noção de que o progresso é descontínuo, isto é, não se faz por etapas sucessivas. Desse modo, a história universal não é um conjunto de várias civilizações em etapas diferentes de desenvolvimento. Cada sociedade tem sua própria história. Cada cultura tem seus próprios valores.
Essa visão de mundo possibilitou o desenvolvimento de várias ciências como a etnologia, a antropologia e as ciências sociais.

Ciência e técnica

A confiança no saber científico foi outra das atitudes filosóficas que se desenvolveram no século 19. Essa atitude implica que a natureza pode ser controlada pela ciência e pela técnica. Mas não apenas isso, o desenvolvimento da ciência e da técnica passa a ser capaz de levar ao progresso vários aspectos da vida humana. Surgiram disciplinas como a psicologia, a sociologia e a pedagogia.
No século 20, a filosofia passou a colocar em cheque o alcance desses conhecimentos. Essas ciências podem não conseguir abranger a totalidade dos fenômenos que estudam. E também muitas vezes não conseguem fundamentar e validar suas próprias descobertas.

O triunfo da razão

A idéia de que a razão, ciência e o conhecimento são capazes de dar conta de todos os aspectos da vida humana também foi pensada criticamente por dois grandes filósofos: Karl Marx e Sigmund Freud.
No campo político, Marx tornou relativa a idéia de uma razão livre e autônoma ao formular a noção de ideologia - o poder social e invisível que nos faz pensar como pensamos e agir como agimos.
No campo da psique, Freud abalou o edifício das ciências psicológicas ao descobrir a noção de inconsciente - como poder que atua sem o controle da consciência.

Teoria crítica

A idéia de progresso humano como percurso racional sofreu um duro golpe com a ascensão dos regimes totalitários, como o nazismo, o fascismo e o stalinismo. O desencanto tomou o lugar da confiança que existia anteriormente na idéia de uma razão triunfante.
Para fazer face a essa realidade, um grupo de intelectuais alemães elaborou uma teoria que ficou conhecida como teoria crítica. Um dos principais filósofos desse grupo é Max Horkheimer. Ele pensou que as transformações na sociedade, na política e na cultura só podem se processar se tiverem como fim a emancipação do homem e não o domínio técnico e científico sobre a natureza e a sociedade.
Esse pensamento distingue a razão instrumental da razão crítica. O que seria a razão instrumental? Aquela que transforma as ciências e as técnicas num meio de intimidação do homem, e não de libertação. E a razão crítica? É a que estuda os limites e os riscos da aplicação da razão instrumental.

Existencialismo

O filósofo Jean-Paul Sartre também pensou as questões do homem frente à liberdade e ao seu compromisso com a história. Utilizando também as contribuições do marxismo e da psicanálise, o filósofo elaborou um pensamento sistemático que põe em relevo a noção de existência em lugar da essência.

Fenomenologia

O estudo da linguagem científica, dos fundamentos e dos métodos das ciências tornou-se um foco de atenção importante para a filosofia contemporânea. O filósofo Edmund Husserl propôs à filosofia a tarefa de estudar as possibilidades e os limites do próprio conhecimento. Husserl desenvolveu uma teoria chamada fenomenologia.

Filosofia analítica

As formas e os modos de funcionamento da linguagem foram estudados pelo filósofo Ludwig Wittgenstein. A filosofia analítica é uma disciplina que se vale da análise lógica como método e entende a linguagem como objeto da filosofia. Bertrand Russel e Quine também estudaram os problemas lógicos das ciências, a partir da linguagem científica.
Embora tenha se desdobrado em disciplinas especializadas, a filosofia ainda é - como sempre foi - uma atitude filosófica.

Assim que começamos a filosofar achamos que mesmo as coisas mais cotidianas levam a problemas para os quais só podem ser dadas respostas muito incompletas. A filosofia, embora incapaz de nos dizer com certeza quais são as respostas verdadeiras às dúvidas que ela suscita, está apta a sugerir muitas possibilidades que ampliam nossos pensamentos e os libertam da tirania do hábito. Assim, embora diminuindo nosso sentimento de certeza a respeito do que as coisas são, ela aumenta enormemente nosso conhecimento em direção ao que as coisas podem ser.

O Buraco Branco no Tempo



O texto a seguir é um resumo sobre o documentário "O buraco branco no tempo" (inspirado no livro de Peter Russel):

O vídeo explora os padrões evolucionários que estão detrás de nosso desenvolvimento em contínua aceleração e pergunta: "Por que uma espécie que é de tantas formas muito inteligente pode também se comportar de maneiras que são aparentemente tão insanas?"
A humanidade surgiu, considerando o tempo de existência de nosso planeta, há pouco tempo. A filosofia Hindu afirma que o nosso tempo neste planeta corresponde á um piscar dos olhos de Deus. Vendo por esse lado, somos realmente insignificantes.
Analogicamente se medíssemos a história do planeta nos andares do ‘falecido’ World Trade Center, nós, seres humanos da Modernidade, corresponderíamos a uma espessura menor que a camada de tinta do alto do arranha-céu.
Apesar da nossa curta existência, nunca este planeta foi tão mudado quanto está sendo nesses últimos séculos. Aonde quer que estejamos indo, estamos indo rápido.
Dentre os fatos que ajudaram na nossa estudada evolução o primeiro fator que possibilitou tudo isso foi, sem dúvidas, a reprodução sexuada – fenômeno que acelerou nossa diversidade, tudo graças ao compartilhamento do DNA.
Linearmente, em seguida, os seres humanos desenvolveram os sentidos, o cérebro e, finalmente, a linguagem simbólica. Foi através dessa última que nós chegamos ao ápice que estamos hoje – seres que mudam o mundo.
Essa evolução da inteligência humana se deu, também, graças ás diversas invenções que nos ajudaram em muito no nosso aprendizado. Cálculos que duravam décadas hoje são feito em horas. Comunicações de meses são feitas em segundos.
Foi um grande salto desde que nossos antepassados descobriram a Linguagem Escrita até chegar aos dias de hoje feitos á partir de computadores e satélites. Nosso mundo construiu uma grande teia de comunicação.
Todo esse engenhoso mundo não seria possível sem o maior instrumento de construção do homem: a mão. Foi ela quem nos deu os artifícios dessa evolução.
Paradoxalmente, tudo o que planejamos, construímos e conseguimos teve como objetivo simples elevar nossa qualidade de vida, mas, ao contrário do que esperávamos, estamos vivenciando épocas em que os efeitos colaterais de nossa evolução põem em risco nossa própria sobrevivência.
Consumimos em um ano, o que antigamente consumiríamos em 3500. A população global que durou séculos para atingir um bilhão de habitantes, em pouco tempo adquiriu seis vezes mais do que anteriormente. E todo esse consumo em massa tem um péssimo efeito: mais desperdício, mais poluição, menos qualidade de vida.
Nosso planeta miserável hoje consume, aproximadamente, um trilhão de dólares em produção bélica; em quanto que o valor necessário para diminuir nossos problemas está avaliado em um pouco mais que 700 bilhões. O nosso egoísmo impede nossa própria sobrevivência como planeta.
O nosso grau de consumismo chegou á um patamar que a ‘felicidade’ está diretamente proporcional ao consumo. E vivemos para consumir cada vez – buscando, assim, essa felicidade aparente.
A tecnologia nos tornou, também paradoxalmente, muito mais próximos e, ao mesmo tempo, mais distantes de nós mesmos. E esse egoísmo nós traz inúmeros problemas. Passamos a julgar as pessoas por o que elas têm e esquecemos de que elas também são seres humanos, como nós.
...
Conseguimos fazer em pouco tempo o que nenhum outro ser vivo fez por esse planeta. Alcançamos limites imagináveis há milênios atrás. Fomos à Lua. Conhecemos o espaço. Dominamos o fogo e ás máquinas...
Mas, ironicamente, desconhecemos por completo nosso interior. E isso nos faz pensar a maravilhosa exploração que nos aguarda em breve. Nossa exploração interior, uma revolução em nossa consciência.
Aos poucos, chegamos á um patamar de evolução em que devemos parar para pensar e avaliar que está certo e errado. Seria uma pena ver a humanidade, que conseguiu chegar até aqui, pôr tudo á perder.
Se a humanidade chegará a este último passo? Só o tempo dirá. Um buraco branco no tempo.

fonte: http://superbabaca.blogspot.com/2006/06/o-buraco-branco-no-tempo.html
Link para o vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=uUiSYP5L6Mo

quarta-feira, 17 de março de 2010

Vidas Secas




O livro de Graciliano Ramos traz grandes reflexões sobre a significação e função da linguagem para a compreensão e transformação da realidade em que vivemos. Não só como meio de comunicação, mas de significado e humanização da existência humana.No caso do livro, o oposto: a luta pela sobrevivência contra a fome, a seca, as injustiças sociais, passa pela falta de compreensão da realidade, limitada pela não-linguagem, que imobiliza os personagens, reféns de sua situação e sem entendimento suficiente para visionar uma nova realidade. A luta é pela subsistência, como a da cachorra Baleia, e não pela vida. Um entendimento diferenciado do mundo, mas ainda assim um tipo de entendimento?
é só clicar em: Click here to download this file e baixar!!!!

sexta-feira, 12 de março de 2010

Fainestein (aquilo que aparece –fenômeno)... Deus?...


                                               W.Kush

O que me atento não é a postulação de um Deus, seja transcendente, imanente ou Idéia. Pois se o há, de qualquer uma das formas, deixe-o ser! Perene onde e como estiver, mas não o atribuas humanidades. Escrever livro, regrar mandamentos, distinguir se há ou não santos, demônios, se há o mal, o “inimigo”... Nada o é de fato, são meras representações escritas de homens. Diria: “Homens que conviveram com Cristo, filho de Deus”, mas são homens que percebem como tal e individualmente. Platão conviveu com Sócrates e em seus diálogos há muito mais palavras platônicas em Sócrates do que socráticas. Se se pressupõe sua existência ontológica ou ôntica, ele é, seja força, natureza, espírito, sobre este só se é possível sentir ou não. E como indivíduos distintos mesmo que assumindo existência, sentindo, sente-se representativamente, ou seja, unicamente, em cada ser – indivíduo. Usam-se, então, símbolos, ritos, mitos engajados em todas as religiões, mesmo que não de forma igual. Não importa segui-los, mas sabendo suas significações em fé e também como meio de fé externalizada, com significados simbólicos, portanto humanos. Não assumi-los como dogmas inquestionáveis “A hóstia é o corpo de Cristo...” esta representa, enquanto fé e significado que a damos. O fato de ler as “Escrituras Sagradas” de nada me assegura; História e fé se mesclam em quantidades bastante desproporcionais (cerca de apenas 10% de fatos históricos, os outros 90% crê-se). Escrita por homens, lida por homens, traduzida por homens, sobre algo que não estaria sob égide das categorias e compreensão humana. Se houver de fato este algo criador, consciente ou não de si, provavelmente preza pela harmonia, digo-a como a própria harmonia da natureza, a formação da vida, os átomos, as células, os quais cada partícula está como que encaixada perfeitamente para que tudo seja, viva, transforme. Uma harmonia quase pitagórica. Mas não há de fato um Deus ou um Ser, seja ser – physis ou ser – metaphysis que o possa pregar sua adoração, idolatração, e mantenha dogmas atribuindo valores que só seriam válidos se reconhecida sua superioridade, isso seria vaidade. Se existe, ou não, deixe-o Ser e/ou Não-Ser!!! Mas devemos crer numa vivência sob o que os filósofos chamariam de “Ética”, mas ainda que postuladamente superior, pelo agir sem o simples fato de aproveitar o fim (finalidade), mas o fazer pela convivência, por respeito à vida, a natureza, sem pretensões utilitaristas para uma tal transcendentalidade (fazer o bem para ganhar o reino do céu). Cristãos guerreiam “em nome de Deus”, discordam em nome da verdade divina, afirmam todos serem irmãos e o dever do amor entre os homens (veja bem, dever e não o querer), mas aqueles que não assumem sua verdade, de seu grupo religioso, irão para o inferno, não aceitando tal verdade “revelada”. Haveria várias revelações? Várias formas de apropriações ou representações da revelação? Ou ainda, o único grupo que diz a verdade é o qual “faço parte”, as demais por não ser a minha, são falsas? Existiria esse Bem e Mal? Esse maniqueísmo aparece com o cristianismo, não era visto nos primórdios mitológicos por mais místicos que fossem. Um ser é mau o tempo todo ou bom o tempo todo. Se for mau, é para quem? Para outrem não poderia ser seu oposto? Ou melhor, há de ser necessariamente ou um ou seu oposto? Olha! Não sei nada do que há, mas em nome do desespero humano a uma explicação e, atualmente a uma busca de valores, e como uma válvula de escape de uma sociedade tão caótica, assim como o princípio hesiódico “No princípio era o Caos...”, sem sentido e cheio de “derrotas” individuais, aumenta-se as vertentes (religiões) que serviram à História em épocas diferentes (Católicos, Protestantes... Idade Média, Reforma...) e hoje, em meio ao processo do esvaziamento do homem, se multiplicam, multiplicando o esvaziamento do homem, este que se propõe a tantos dogmas erguer, servir e alienar-se como fuga do resto que também não preenche tal vazio e anseio humano. E seus argumentos continuam sendo: “Já lestes a Bíblia? Esta é a palavra de Deus!” A palavra é humana, a ordem e funcionamento das coisas podem ser de força natural motora, mas o que se quer é mantê-la e não colocar o dizer nesta. A preocupação não é com a existência ou não de um ser tangente, mas o que fazer do “princípio” caótico, qual voltamos, e nos encontramos hoje. O que é possível absorver de energia chamada positiva, seja cósmica, ontológica... que nos aproxime de uma evolução e de uma Consciência Humana, ou melhor, uma Consciência da Vida, do viver. Pecado? Pecado é não viver!É não assumir e responsabilizar-se pelos rumos de sua própria vida. È deixar a vida escapar pelos dedos e não senti-la pulsar em seu peito, mas vê-la como expectador, sempre somente à espera do que poderá ver e buscar explicar. Para mim é como se me bastasse uma olhada ao céu estrelado, uma brisa, uma respiração profunda, perante tal universo imenso para senti-lo, é o bastante para renovar-me a cada dia. Se puder ver o pôr e o nascer do sol, sentir a vida, a harmonia indizível, ver a noite negra e misteriosa... não estão à luz (fainestein) , não são fenômenos, absorvíveis à nós, pequenos seres “racionais”, portanto, não se escreve ou preocupa-se sobre isso, deixe-o, sentindo ou não, não promova nomes que não lhe são. Afinal, nem nós somos ou não, mas somos e não, estamos sendo, e neste sendo ainda perdemos todas nossas energias preocupando-nos no que somos, e então deixamos de ser até o sendo! Se Deus existe, porque a fome, a desgraça, a morte de tantos inocentes? Nas reportagens vê-se guerra civil, guerra religiosa, guerra santa.... Livre arbítrio? Como deixas o livre-arbítrio de um ser superior ao de outro, que já não pode escolher sua condição precária ou um estar na catástrofe, (nas favelas, por exemplo) e a cada dia passa pela morte sem escolher e sem ser salvo do homem e do próprio Deus que teria a salvação! Pois a cada bala perdida reza, em nome do desespero, em nome de uma sociedade perdida, em nome de um nome. Realmente não sei avaliar o que é mais difícil: não crer em um Deus salvador, assumindo sua própria vida, não tendo a quem recorrer em sanar suas dores, angústias, anseios e respostas.Ou crer no “Absurdo”, no que não se pode explicar ou entender suas “razões”, mas onde me lançar e confortar-me no momento de desespero.
Juliana Janaina.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Quem foi Kant e o que diz de novo este criticismo?


  • Kant, o arquiteto da crítica;
Por Antônio Rogério da Silva
A vida de Immanuel Kant é uma das mais estranhas entre as estranhas vidas de todos aqueles que se dedicaram à filosofia. Enquanto a maioria dos filósofos modernos foi arrastada pela onda de transformação do pensamento e dos costumes, sendo por conta disso que muitos deles foram obrigados a viajar ou exilar-se em países diferentes de sua origem, Kant permaneceu protegido desse frenesi, graças a uma rotina metódica que espanta quem se interesse pela obra deste autor crucial para história da filosofia. Como Rousseau e Hobbes, o início da vida de Kant foi marcada pela pobreza e uma dura luta pela subsistência. Seu pai era um artesão que produzia selas e artigos de couro. Sua mãe pertencia a uma seita religiosa chamada Pietista que seguia com rigor absoluto todas práticas e crenças religiosas. De sua infância e juventude pouco se sabe, além do fato que o próprio Kant procurava esquecer os anos difíceis da "escravidão juvenil". Os Kant haviam deixado a Escócia um século antes do nascimento de Immanuel, procurando por uma situação mais confortável na Prússia Oriental. O Kant mais famoso era o segundo entre seis irmãos e nasceu, em 22 de abril de 1724, na cidade prussiana de Königsberg (depois da invasão russa, em 1945, Kaliningrado). Cresceu, trabalhou, estudou, pensou, escreveu e envelheceu sem nunca ter atravessado os limites da cidade. Morreu tranquilo na senilidade, a 12 de fevereiro de 1804.
No colégio Fridericianum, teve sua instrução básica iniciada em 1732, e na Universidade de Königsberg formou-se em 1755. Durante o período de formação, sobreviveu como professor particular de famílias ricas até conseguir o grau de mestre. Aos 31 anos, começa a trabalhar nessa universidade como conferencista particular (Privatdozent) proferindo por mais 15 anos aulas sobre diversas matérias, desde matemática e física até geografia e ética. Johann Gottfried von Herder (1744-1803), que fora seu aluno, disse certa vez que "nada digno de ser conhecido lhe era indiferente". Depois de duas tentativas para ingressar no cargo de professor da universidade, em 1770, finalmente, Kant consegue a nomeação de professor de lógica e metafísica.
Seu cotidiano era regido por uma regularidade mecânica e tudo tinha a hora certa para acontecer. Pela manhã, acordava cedo e se punha a trabalhar, nada comendo até o almoço. Durante o almoço, servido sempre na presença de três a oito convidados, conversava animadamente sobre qualquer assunto de interesse, menos sua própria filosofia. Às 15 horas e 30 minutos saía a passear sozinho, a fim de respirar calmamente, pelo nariz, e exercitar-se ao caminho. Tal era a precisão de seus hábitos, que uma anedota conta dos habitantes da alameda de tílias, pela qual Kant sempre passava, costumarem acertar seus relógios quando avistavam o filósofo se aproximando. Por causa disso, essa rua passou a ser conhecida em Königsberg, como o Passeio do Filósofo. Depois da caminhada, dirigia-se a sua biblioteca e lia até anoitecer. Por volta das dez horas, afastava-se de qualquer esforço mental, no intuito de preparar o sono. Dessa rotina agradável da maturidade, Kant nunca se afastou, tendo a quebrado apenas por duas vezes: primeiro quando leu o Emílio de Rousseau e depois ao esperar notícias da Revolução Francesa.
Kant tinha baixa estatura, media cerca de um metro e sessenta de altura, em um corpo franzino, e com estranhos era de uma timidez extrema. Por duas vezes, teve a oportunidade de pedir a mão de duas moças, mas uma se mudou da cidade antes que ele se decidisse lhe propor o casamento e a segunda, cansada de esperar, aceitou o convite de outro rapaz mais ousado. Assim, Kant deixou passar as chances de casamento, ficando solteiro por toda sua longa vida.


O Criticismo Kantiano
Antes de Kant, a filosofia oscilava como o pêndulo de Galileu, entre o materialismo e empirismo de um lado e o inatismo e racionalismo de outro. Dogmáticos idealistas e céticos naturalistas revezavam-se no posto de quem proferiria a última palavra sobre o entendimento humano. Desde 1770, Kant impôs-se como tarefa parar com essa troca constante de posições propondo uma investigação sobre como a metafísica era possível de ser entendida por ciência. Deveria então a crítica filosófica encontra um objeto, ou a fonte de conhecimento, ou ainda o modo de pensar que fosse peculiar à metafísica. Caso essa pesquisa apontasse resultados negativos, as pretensões metafísicas de ser uma ciência própria deveriam ser afastadas de vez.
A Critica da Razão Pura, cuja primeira edição saiu em 1781, iniciou essa tarefa de forma sistemática, procurando as características típicas da metafísica, ou do conhecimento filosófico puro. Kant pensava que a física, a matemática e a geometria de seu tempo já haviam encontrado formas de conhecimento que satisfaziam seu estatuto científico, enquanto a metafísica não era capaz de fornecer, sequer, um juízo sintético a priori. Calma! Com isso Kant queria dizer que para uma atividade ser considerada científica era preciso que ela apresentasse proposições, ou enunciados, que fornecessem informações adicionais sobre o sujeito estudado e, além disso, que transcendessem a qualquer experiência, isto é, que fossem entendidas sem o recurso das relações das coisas materiais. Tal juízo deveria estar puro de um contato empírico, como instrumento da razão humana. A posse de um conhecimento puro seria importante para qualquer ciência, uma vez que tal conhecimento garantiria a sua necessidade.
A experiência ensina que uma coisa pode ser constituída de uma maneira ou de outra, mas nada diz se o que está sendo observado não possa ocorrer de forma diferente. Essa lição Kant já havia aprendido com Hume. Tratava-se então de encontrar um juízo necessário para toda metafísica poder ficar de pé. Mas antes, é importante primeiro fazer algumas distinções e definições. Assim sendo, Kant começa por definir a diferença entre juízos analíticos e sintéticos. Por analíticos entendem-se os juízos cujos predicados fazem parte da identidade do sujeito. Por exemplo, se o ouro for definido como metal amarelo maleável, ao se emitir um juízo que enuncie ser ouro amarelo, este juízo será analítico e nenhum conteúdo acrescenta ao conceito de ouro. O que vale dizer que todos juízos analíticos são apenas explicativos. Já os juízos sintéticos trazem em seu predicado uma informação que não pode ser extraída do conceito do sujeito e que, portanto, se encontra fora de sua definição. Dizer que "alguns corpos são pesados" amplia o conhecimento que se tem do conceito geral de corpo, sendo então um juízo extensivo, por estender a compreensão que se tem previamente do sujeito. Todos juízos analíticos são concebidos a priori, ao passo que os sintéticos poderiam ser a posteriori, com origem na experiência, ou a priori, formados no entendimento puro e na razão pura.
Todas as ciências teóricas - a matemática, geometria e a física -, imaginava Kant, teriam juízos sintéticos a priori como seus princípios fundamentais, caberia à metafísica encontrar seus princípios sintéticos uma vez que ela teria como fonte apenas o conhecimento puro a priori. O próximo passo para solucionar esse problema foi descrever a estrutura da razão que produz tais juízos. Na "Doutrina Transcendental dos Elementos", primeira divisão da Crítica da Razão Pura, Kant apresenta em primeiro lugar sua "Estética Transcendental", onde descreve os princípios da sensibilidade a priori. A sensibilidade, nesse sentido, seria a capacidade de receber representações do objetos percebidos. Através da sensibilidade os objetos são dados e a intuição empírica é fornecida, de acordo com as sensações provocadas pelos objetos. Os objetos da intuição empírica são chamados fenômenos. Os conceitos relativos aos fenômenos são gerados pelo entendimento, tendo por base apenas as intuições da sensibilidade. Além das intuições empíricas, a sensibilidade forneceria as intuições puras como formas próprias que não dependem de um objeto real dos sentidos, mas são a condição para que estes sejam percebidos em sua extensão e duração. Tais intuições puras a priori seriam o sentido externo do espaço, onde os objetos são representados como sendo do lado de fora do sujeito, e o sentido interno do tempo que representa dentro do sujeito a sensação de passagem ou permanência de um objeto. Tempo e espaço não seriam conceitos empíricos, mas a condição da sensibilidade para que a experiência seja possível, portanto, antecedem a esta e são intuições puras a priori .
Depois disso, resta descrever como o entendimento gera as representações e o entendimento daquilo que é percebido pelo sensibilidade. A Lógica transcendental vem determinar a origem e o alcance desses conhecimentos. Na estética, Kant concluiu que só é possível ter intuições sensíveis e que as supostas intuições puras, nada mais são que as formas puras da sensibilidade - espaço e tempo - que permitem a recepção externa e interna dos objetos. Portanto, apoiado em intuições sensiveis o entendimento deverá pensar os objetos, a fim de gerar o conhecimento, pela união da intuição com o pensamento. Não obstante, para que seja um conhecimento puro, como convém à metafísica, a lógica trancendental deve analisar se existe algum conceito que seja puro e independente da sensibilidade. Seria então esse conhecimento oriundo de idéias trancendentais. Ao longo da primeira crítica, Kant se esforçou em tentar mostrar a impossibilidade do entendimento em resolver dos problemas inerentes às idéias psicológicas, da existência da alma ou de sujeitos absolutos; cosmológicas, sobre a origem e infinitude do universo; e teológicas, existência de um ser supremo.
Em sua obra seguinte, Prolegômenos (1783), Kant resume toda essa discussão na constatação que a indecisão quanto aos problemas da antinomia das idéais transcendentais leva à limitação do uso da razão ao conhecimento empírico.
Servi-me para o início desta observação da imagem sensível de um limite, para fixar as barreiras da razão em relação ao uso que lhe é apropriado. O mundo dos sentidos contém meros fenômenos, que ainda não são coisas em si mesmas. Estas últimas (númenos) devem ser admitidas pelo entendimento, justamente pelo fato de ele conhecer os objetos da experiência como simples fenômenos. (...) A experiência, que contém tudo o que pertence ao mundo dos sentidos, não se limita a si mesma; de cada condicionado, chega sempre só a outro condicionado. O que deve limitá-la encontra-se necessariamente fora dela, e este é o campo dos puros entes de entendimento. Mas este é para nós espaço vazio, em se tratando da determinação da natureza destes entes de entendimento e, portanto, se temos em vista conceitos dogmamente determinados, não podemos ir além do campo da experiência possível. (...) Mas a limitação do campo da experiência por algo, que aliás lhe é desconhecido, é um conhecimento que resta à razão neste ponto, mediante o qual ela não se encerra dentro do mundo dos sentidos, nem vagueia fora do mesmo, mas, como convém ao conhecimento do limite, circunscreve-se apenas à relação daquilo que está fora dela com o que está contido dentro do mesmo limite (KANT, I. Prolegômenos, III parte, § 59, p. 83).
Dentre as antinomias que correspondem aos conflitos em que as idéias transcendentais podem suscitar argumentos contra e a favor, aquela que diz respeito à cadeia causal de eventos cosmológicos, também conhecida como a "Terceira Antinomia", coloca um problema cuja solução interessa diretamente à moral. Em suma, o problema que a razão pura aqui se põe é saber se há uma causa necessária que determine o desenlace de toda série causal entre as coisas no mundo, ou caso contrário se esta causa não existe e tudo ocorre de forma livre e contingente da série causal, a grosso modo. Com intuito de preservar a liberdade em um mundo de fenômenos estritamente determinados, Kant propõe na primeira Crítica que as ações livres tenham que se relacionar apenas com uma causa inteligível no sujeito, independente da sensibilidade e que pode condicionar algum evento fenomênico. Esse tipo de solução visou atender um uso prático da razão cuja fundamentação apareceria no texto que antecedeu a segunda Crítica, Fundamentação da Metafísica dos Costumes (1785).


 fonte: http://www.discursus.250x.com/moderna/immakant.html

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Imagens para refletir...

DAVID LACHAPELLE

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RENÉ MAGRITTE 


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SALVADOR DALI


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Falando em "evolução"...

Dica de cinema: estréia no Brasil dia 19/03/2010 (parece ser bom, não sei ainda...)




Sinopse
O naturalista inglês Charles Darwin se esforça para encontrar um equilíbrio entre suas teorias revolucionárias sobre a evolução e a relação com a sua religiosa mulher, cuja fé contradiz seu trabalho.
 Informações Técnicas
Título no Brasil:  Criação
Título Original:  Creation
País de Origem:  Reino Unido
Gênero:  Drama
Tempo de Duração: 108 minutos
Ano de Lançamento:  2009
Estréia no Brasil: 19/03/2010
Estúdio/Distrib.:  Imagem Filmes
Direção:  Jon Amiel


site oficial: http://www.creationthemovie.com/

Será que evoluímos?

Qual o sentido da "evolução" humana? Não seríamos macacos-homens ainda...?

imagem em exposição no Mube

Aproveitando o ensejo das imagens...

Ainda em São Paulo, próximo a praça Roosevelt, em frente ao espaço Satyros de teatro, algumas pixações chamaram atenção...


MUBE - Exposição "um livro sobre a morte"


Em pleno Carnaval, dia 16/02 fui a Sampa dar um passeio, dentre os programas do roteiro, o Mube e a exposição "um livro sobre a morte" em postais...vale a pena pensar o como expressamos essa certeza angustiante e universal que é a morte. E o como ela pode ser explorada, como pode ser "cinematográfica", e esteriotipada, mas para alguns pode ser erótica... e ao mesmo tempo é sempre sem sentido e fora de nosso conhecimento, pois nunca se sabe ou se vê a própria morte.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Um pouquinho de Portugal...

Foram 24 dias do mês de janeiro conhecendo o país e revendo familiares... um pouquinho de Portugal nestas das 2500 fotos que tiramos...

ALCOBAÇA
FÁTIMA
 
NAZARÉ
BALEAL
FACULDADE DE COIMBRA
 
SINTRA
TORRE DE BELÉM
 
BOMBARRAL
 
LISBOA
  
REFLEXO NO COMBOIO (TREM) NO PORTO
  
SERRA DA ESTRELA
  
GUIMARÃES

EIRICEIRA (AO FUNDO-PRAIA ONDE FAMÍLIA REAL PORTUGUESA PARTIU PARA O BRASIL, 1808)
  
PENICHE

SANTIAGO DE COMPOSTELA - ESPANHA
 
 
SÃO PAULO (VISTO DE CIMA - GUARULHOS)

Aos alunos do Joaquim Moreira Bernardes... 2009.


Pois é, pessoal, este ano já não mais estarei com vocês, consegui a remoção para uma cidade um pouco mais próxima da minha: Cubatão.
Bom, como disse nos primeiros dias de aula, foram “minhas primeiras cobaias” e foi uma experiência muito boa, ao menos para mim, não sei para vocês... para alguns pareceu-me que sim, pois ouvi alguns pedidos ano passado para não tentar sair da escola, e a festa de aniversário que o 2ºA fez para mim... sem palavras, foi uma grande e ótima surpresa.
Foi um ano de grandes aprendizagens e conflitos, como deve ser. E a maioria das vezes conflitos construtivos, que fazia-nos pensar e elaborar argumentos sólidos e pensar sobre nossas ações e idéias repetitivas e condicionadas... ainda mais quando se incomodavam muito com a minha falta de religiosidade...
Mas, valeu!
Um grande abraço a todos do Joaquim, a equipe gestora e de professores que me auxiliaram em tudo e me ensinaram muito também.
E a todos os alunos. Que nossas conversas, debates, leituras, etc. sirvam para que pensem melhor sobre a construção e ação sobre nossas idéias, enquanto formação de uma identidade e uma possibilidade de vida melhor.
A educação é uma das maiores e mais eficazes possibilidades de mudança de condição social, não se iludam com as superficialidades da mídia...
Beijos
Profª Juliana Janaina.