Passeando por Miami, Joaquim Barbosa esteve com o empresário Antonio
Mahfuz, que está foragido e é réu em 221 processos. O encontro está
registrado no perfil do fugitivo, no Facebook.
Na legenda da foto, Mahfuz diz: “Sob a mesma luz que guiava os
peregrinos no deserto! Renasce a esperança com o Justiceiro. Thanks
God!”. A imagem foi compartilhada por 64 pessoas.
Quando um seguidor de Mahfuz lhe pergunta se é
Joaquim Barbosa na foto, o empresário confirma. “O próprio. O meu, o
seu, o nosso candidato a Presidente do Brasil sem Pedágio.”
Segundo o site Diário do Centro do Mundo, Mahfuz era dono de uma rede de
lojas nascida na região de Rio Preto, em São Paulo, que se expandiu
para outras partes. O empresário fez empréstimos, mas não honrou as
dívidas, e o banco Chase Manhattan, quando o executou, simplesmente não
encontrou os bens penhorados. Ele foi decretado pela justiça
“depositário infiel”. Quando sua prisão foi pedida, ele foi para os
Estados Unidos.
Mahfuz ainda sofre processo das irmãs, que o acusam de falsificar a
assinatura do pai, Elias Mahfuz, em uma procuração que lhe dava plenos
poderes para administrar os negócios da família. Um perito já teria
atestado a adulteração do documento.
Pelo Twitter, Delúbio Soares, condenado na Ação Penal 470 publicou a
imagem e comentou: “Antônio Mahfuz: 221 processos, prisão decretada,
foragido do Brasil. Em Miami, com Joaquim Barbosa, num bar.”
A 2ª temporada do "The X-Factor" mal começou nos Estados Unidos e já está pegando fogo. Tudo isso porque um concorrente soltou o verbo contra a jurada Demi Lovato, acusando a cantora de usar o auto-tune, aquele dispositivo que ajuda na afinação de voz.
Criado em 1994, o recurso se popularizou quatro anos depois. O programa de computador, que inicialmente tinha como objetivo ajustar imperfeições, acabou virando febre e é utilizado além do ideal. "É algo útil que virou praga a partir do mau gosto de DJs, radialistas e do próprio público americano. O big bang do modismo se deu com "Believe" (gravado em 1998), com a Cher, cantora que normalmente não necessitaria desse tipo de recurso. Além da 'brincadeirinha' do efeito, ele também pode mascarar a falta de talento de várias cantoras e cantores", explica o editor-chefe da revista Billboard Brasil, Pedro Só.
Além de Demi, artistas como Rihanna, Lady Gaga, Miley Cyrus, Justin Bieber, Ke$ha e Beyoncé ... exageram no auto-tune nas gravações de suas músicas e muitas vezes precisam de uma ajuda do playback (em determinadas partes ou até mesmo toda apresentação) para que, ao vivo, a plateia não sinta tanta diferença da versão que está acostumada a ouvir.
Estes são os "cantores" que fazem sucesso hoje, nem conseguem ser afinados sem a tecnologia, e carregam "fãs" no mundo todo e nem artistas são de verdade, mas arquétipos montados pela sociedade do espetáculo, para milhares de jovens se despersonalizarem e seguirem um padrão imaginário, mas que gera muito lucro e submissão.
Há alguns anos tenho este maravilhoso filme baseado no magnífico livro do grande escritor português, José Saramago: o único a falar a língua portuguesa que ganhou o prêmio Nobel de Literatura. O filme abre para diversas possibilidades de discussões existênciais, sociológicas, psicológicas e, claro, filosóficas. o diretor, o brasileiro Fernando Meirelles; uma das principais atrizes também é brasileira, Alice Braga, e filmado, dentre outras cidades, em São Paulo, no Vale do Anhangabaú:
Por que lembrei-me dele novamente agora? Por estar revendo-o hoje para passar em aula (e ter que "editar" algumas partes) e ver somente agora o "bonus", de onde tirei algumas falas de seus atores, diretores, etc, bastante interessantes para refletirmos acerca das diversas propostas do livro, do filme, da IDEIA...
"O filme é um dizer de que quem tem olhos numa terra de cegos...."
"É uma metáfora wsobre nossa sociedade e o fato de sermos todos cegos"
"Sobre a fragilidade da civilização. Quando uma coisa cai, tudo o mais desmorona..."
"Certos aspectos da sua personalidade vêm a tona (em determinadas situações limite) vem á tona e que poderiam passar a vida toda escondidos"
"Você precisa deles e eles precisam de você, eles são você, nós somos todos iguais"
"Quem somos nós? Qual a nossa responsabilidade pelo ooutro, pelo que fazemos todos os dias? "
"O que aconteceria se isso realmente acontecesse? Se houvesse um acidente e toda essa estrutura social que temos como certa, ou uma coisa tão simples, como nossa visão, se tudo isso acabasse? Como nós reformunlaríamos ou reimaginaríamos a forma como olhamos o outro e vemos o outro?"
"estar cego é aceitar a humilhação"
"Trata-se da humanidade, do ser humano. Nós somos assim. Nós nos achamos muito civilizados, muito sofisticados, mas se você não tiver comida, ou se estiver numa situação, quando falta algo, você se torna o que vemos aqui. "
"Esse filme não é apenas uma criação, ele diz muito sobre quem nós realmente somos"
E este é Saramago, tem muito mais a nos dizer, pena sua voz ter calado em 2010, mas sua obra, como toda obra de pensador, é eterna:
Os abalos sofridos pelo povo brasileiro em torno dos acontecimentos de 1930, a crise econômica provocada pela quebra da bolsa de valores de Nova Iorque, a crise cafeeira, a Revolução de 1930, o acelerado declínio do nordeste condicionaram um novo estilo ficcional, notadamente mais adulto, mais amadurecido, mais moderno que se marcaria pela rudeza, por uma linguagem mais brasileira, por um enfoque direto dos fatos, por uma retomada do naturalismo, principalmente no plano da narrativa documental, temos também o romance nordestino, liberdade temática e rigor estilístico.
Os romancistas de 30 caracterizavam-se por adotarem visão crítica das relações sociais, regionalismo ressaltando o homem hostilizado pelo ambiente, pela terra, cidade, o homem devorado pelos problemas que o meio lhe impõe.
Graciliano Ramos (1892-1953) nasceu em Quebrângulo, Alagoas. Estudou em Maceió, mas não cursou nenhuma faculdade. Após breve estada no Rio de Janeiro como revisor dos jornais "Correio da Manhã e A Tarde", passou a fazer jornalismo e política elegendo-se prefeito em 1927.
Foi preso em 1936 sob acusação de comunista e nesta fase escreveu "Memórias do Cárcere", um sério depoimento sobre a realidade brasileira. Depois do cárcere morou no Rio de Janeiro. Em 1945, integrou-se no Partido Comunista Brasileiro.
Graciliano estreou em 1933 com "Caetés", mas é São Berdado, verdadeira obra prima da literatura brasileira. Depois vieram "Angustia" (1936) e Vidas Secas (1938) inspirando-se em Machado de Assis.
Podemos justificar isto com passagens do texto:
"Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos."
"A caatinga estendia-se de um vermelho indeciso salpicado de manchas brancas que eram ossadas"
"Resolvera de supetão aproveitá-lo (papagaio) como alimento..."
"Miudinhos, perdidos no deserto queimado, os fugitivos agarraram-se, somaram as suas desgraças e os seus pavores".
ESTUDO DOS PERSONAGENS
Baleia - cadela da família, tratado como gente, muito querido pelas crianças. Sinhá Vitória - mulher de Fabiano, sofrida, mãe de 2 filhos, lutadora e inconformada com a miséria em que vivem, trabalha muito na vida. Fabiano - nordestino pobre, ignorante que desesperadamente procura trabalho, bebe muito e perde dinheiro no jogo. Filhos - crianças pobres sofridas e que não tem noção da própria miséria que vivem. Patrão - contratou Fabiano para trabalhar em sua fazenda, era desonesto e explorava os empregados. Outros personagens: o soldado, seu Inácio (dono do bar).
ESTUDO DA LINGUAGEM
Tipo de discurso: indireto livre
Foco narrativo: terceira pessoa
Adjetivos, figuras de linguagem:
Metáfora: " - você é um bicho, Fabiano".
Prosopopéia: compara Baleia como gente
ANÁLISE DAS IDÉIAS
Comentário Crítico:
Esse livro retrata fielmente a realidade brasileira não só da época em que o livro foi escrito, mas como nos dias de hoje tais como injustiça social, miséria, fome, desigualdade, seca, o que nos remete a idéia de que o homem se animalizou sob condições sub-humanas de sobrevivência.
RESUMO DA OBRA
Mudança
Em meio à paisagem hostil do sertão nordestino, quatro pessoas e uma cachorrinha se arrastam numa peregrinação silenciosa _ _ . O menino mais velho, exausto da caminhada sem fim, deita-se no chão, incapaz de prosseguir, o que irrita Fabiano, seu pai, que lhe dá estocadas com a faca no intuito de fazê-lo levantar. Compadecido da situação do pequeno, o pai toma-o nos braços e carrega-o, tornando a viagem ainda mais modorrenta _ .
A cadela Baleia acompanha o grupo de humanos agora sem a companhia do outro animal da família, um papagaio, que fora sacrificado na véspera a fim de aplacar a fome que se abatia sobre aquelas pessoas. Na verdade, era um papagaio estranho, que pouco falava, talvez porque convivesse com gente que também falava pouco _ _ .
Errando por caminhos incertos, Fabiano e família encontram uma fazenda completamente abandonada. Surge a intenção de se fixar por ali. Baleia aparece com um preá entre os dentes, causando grande alegria aos seus donos. Haveria comida. Descendo ao bebedouro dos animais, em meio à lama, Fabiano consegue água. Há uma alegria em seu coração, novos ventos parecem soprar para a sua família. Pensa em Seu Tomás da bolandeira. Pensa na mulher e nos filhos.
A inesperada caça é preparada, o que garante um rápido momento de felicidade ao grupo. No céu, já escuro, uma nuvem - sempre um sinal de esperança. Fabiano deseja estabelecer-se naquela fazenda. Será o dono dela. A vida melhorará para todos _ .
Fabiano
Em vão Fabiano procura por uma raposa. Apesar do fracasso da empreitada, ele está satisfeito. Pensa na situação da família, errante, passando fome, quando da chegada àquela fazenda. Estavam bem agora _ _ . Fabiano se orgulha de vencer as dificuldades tal qual um bicho. Agora ele era um vaqueiro, apesar de não ter um lugar próprio para morar. A fazenda aparentemente abandonada tinha um dono, que logo aparecera e reclamara a posse do local. A solução foi ficar por ali mesmo, servindo ao patrão, tomando conta do local. Na verdade, era uma situação triste, típica de quem não tem nada e vive errante. Sentiu-se novamente um animal, agora com uma conotação negativa. Pouco falava, admirava e tentava imitar a fala difícil das pessoas da cidade. Era um bicho _ .
A uma pergunta de um dos filhos, Fabiano irrita-se. Para que perguntar as coisas? Conversaria com Sinha Vitória sobre isso. Essas coisas de pensamento não levavam a nada. Seu Tomás da bolandeira, apesar de admirado por Fabiano pelas suas palavras difíceis, não acabara como todo mundo? As palavras, as idéias, seduziam e cansavam Fabiano.
Pensou na brutalidade do patrão, a tratá-lo como um traste. Pensou em Sinha Vitória e seu desejo de possuir uma cama igual à de Seu Tomás da bolandeira. Eles não poderiam ter esse luxo, cambembes que eram. Sentiu-se confuso. Era um forte ou um fraco, um homem ou um bicho _ ? Sentia, por vezes, ímpeto de lutador e fraqueza de derrotado.
Lembrando dos meninos, novamente, achou que, quando as coisas melhorassem, eles poderiam se dar ao luxo daquelas coisas de pensar. Por ora, importante era sobreviver. Enquanto as coisas não melhorassem, falaria com Sinha Vitória sobre a educação dos pequenos.
Cadeia
Fabiano vai à feira comprar mantimentos, querosene e um corte de chita vermelha. Injuriado com a qualidade do querosene e com o preço da chita, resolve beber um pouco de pinga na bodega de seu Inácio. Nisso, um soldado amarelo convida-o para um jogo de cartas. Os dois acabam perdendo, o que irrita o soldado, que provoca Fabiano quando esse está de partida. A idéia do jogo havia sido desastrosa. Perdera dinheiro, não levaria para casa o prometido. Fabiano, agora, pensava em como enganar Sinha Vitória, mas a dificuldade de engendrar um plano o atormentava.
O soldado, provocador, encara o vaqueiro e barra-lhe a passagem. Pisa no pé de Fabiano que, tentando contornar a situação à sua maneira, agüenta os insultos até o possível, terminando por xingar a mãe do soldado amarelo. Destacamento à sua volta. Cadeia. Fabiano é empurrado, humilhado publicamente.
No xadrez, pensa por que havia acontecido tudo aquilo com ele. Não fizera nada, se quisesse até bateria no mirrado amarelo, mas ficara quieto. Em meio a rudes indagações, enfureceu-se, acalmou-se, protestou inocência _ . Amolou-se com o bêbado e com a quenga que estavam em outra cela. Pensou na família. Se não fosse Sinha Vitória e as crianças, já teria feito uma besteira por ali mesmo. Quando deixaria que um soldadinho daqueles o humilhasse tanto? Arquitetou vinganças, gritou com os outros presos e, no meio de sua incompreensão com os fatos, sentiu a família como um peso a carregar _ .
Sinha Vitória
Naquele dia, Sinha Vitória amanhecera brava. A noite mal dormida na cama de varas era o motivo de sua zanga. Falara pela manhã, mais uma vez, com Fabiano sobre a dificuldade de dormir naquela cama. Queria uma cama de lastro de couro, como a de Seu Tomás da bolandeira, como a de pessoas normais.
Havia um ano que discutia com o marido a necessidade de uma cama decente e, em meio a uma briga por causa das "extravagâncias" de cada um, Sinha Vitória certa vez ouviu Fabiano dizer-lhe que ela ficava ridícula naqueles sapatos de verniz, caminhando como um papagaio, trôpega, manca. A comparação machucou-a _ .
Agora, ela irritava-se com o ronco de Fabiano ao lembrar-se de suas palavras. Circulando pela casa, fazia suas tarefas em meio a reza e a atenção ao que acontecia lá fora. Por pensar ainda na cama e na comparação maldosa de Fabiano, quase esqueceu de pôr água na comida. Veio-lhe a lembrança do bebedouro em que só havia lama. Medo da seca. Olhou de novo para seus pés e inevitavelmente achou Fabiano mau _ . Pensou no papagaio e sentiu pena dele _ .
Lá fora, os meninos brincavam em meio à sujeira. Dentro de casa, Fabiano roncava forte, seguro, o que indicava a Sinha Vitória que não deveria haver perigo algum por ali. A seca deveria estar longe _ . As coisas, agora, pareciam mais estáveis, apesar de toda a dificuldade. Lembrou-se de como haviam sofrido em suas andanças. Só faltava uma cama. No fundo, até mesmo Fabiano queria uma cama nova.
O Menino mais novo
A imagem altiva do pai foi que lhe fez surgir a idéia. Fabiano, armado como vaqueiro, domava a égua brava com o auxílio de Sinha Vitória. O espetáculo grosseiro excitava o menor dos garotos, impressionado com a façanha do pai e disposto a fazer algo que também impressionasse o irmão mais velho e a cachorra Baleia _ . No dia seguinte, acordou disposto a imitar a façanha do pai. Para tanto, quis comunicar a intenção ao mano, mas evitou, com medo de ser ridicularizado.
Quando as cabras foram ao bebedouro, levadas pelo menino mais velho e por Baleia, o pequeno tomou o bode como alvo de sua ação. Sentia-se altivo como Fabiano quando montava. No bebedouro, o garoto despencou da ribanceira sobre o animal, que o repeliu. Insistente, tentou se aprumar mas foi sacudido impiedosamente, praticando um involuntário salto mortal que o deixou, tonto, estatelado ao chão. O irmão mais velho ria sem parar do ridículo espetáculo, Baleia parecia desaprovar toda aquela loucura _ . Fatalmente seria repreendido pelos pais. Retirou-se humilhado, alimentando a raivosa certeza de que seria grande, usaria roupas de vaqueiro, fumaria cigarros e faria coisas que deixariam Baleia e o irmão admirados.
O Menino mais velho
Aquela palavra tinha chamado a sua atenção: inferno. Perguntou à Sinha Vitória, vaga na resposta. Perguntou a Fabiano, que o ignorou. Na volta à Sinha Vitória, indagou se ela já tinha visto o inferno. Levou um cascudo e fugiu indignado. Baleia fez-lhe companhia tentando alegrá-lo naquela hora difícil.
Decidiu contar à cachorrinha uma história, mas o seu vocabulário era muito restrito, quase igual ao do papagaio que morrera na viagem _ . Só Baleia era sua amiga naquele momento. Por que tanta zanga com uma palavra tão bonita ? A culpa era de Sinha Terta, que usara aquela palavra na véspera, maravilhando o ouvido atento do garoto mais velho.
Olhou para o céu e sentiu-se melancólico. Como poderiam existir estrelas? Pensou novamente no inferno. Deveria ser, sim, um lugar ruim e perigoso, cheio de jararacas e pessoas levando cascudos e pancadas com a bainha da faca _ . Sempre intrigado, abraçou-se à Baleia como refúgio _ .
Inverno
Todos estavam reunidos em volta do fogo, procurando aplacar o frio causado pelo vento e pela água que agitava a paisagem fora da casa. Chegara o inverno, e isso reunia a família próxima à fogueira. Pai e mãe conversavam daquele jeito de sempre, estranho, e os meninos, deitados, ficavam ouvindo as histórias inventadas por Fabiano, de feitos que ele nunca tinha realizado, aventuras nunca vividas. Quando o mais velho levantou-se para buscar mais lenha, foi repreendido severamente pelo pai, aborrecido pela interrupção de sua narrativa.
A chuva dava à família a certeza de que a seca não chegaria por enquanto. Isso alegrava Fabiano. Sinha Vitória, porém, temia por uma inundação que os fizesse subir ao morro, novamente errantes. A água, lá fora, ampliava sua invasão.
Fabiano empolgava-se mais ainda em contar suas façanhas _ . A chuva tinha vindo em boa hora. Após a humilhação na cidade, decidira que, com a chegada da seca, abandonaria a família e partiria para a vingança contra o soldado amarelo e demais autoridades que lhe atravessassem o caminho. A chegada das águas interrompera aqueles planos sinistros. Em meio à narrativa empolgada, Fabiano imaginava que as coisas melhorariam a partir dali; quem sabe, Sinha Vitória até pudesse ter a cama tão desejada.
Para o filho mais novo, o escuro e as sombras geradas pela fogueira faziam da imagem do pai algo grotesco, exagerado. Para o mais velho, a alteração feita por Fabiano na história que contava era motivo de desconfiança. Algo não cheirava bem naquele enredo _ . Sempre pensativo, o menino mais velho dormiu pensando na falha do pai e nos sapos que estariam lá fora, no frio.
Baleia, incomodada com a arenga de Fabiano, procurava sossego naquela paisagem interior. Queria dormir em paz, ouvindo o barulho de fora _ .
Festa
A família foi à festa de Natal na cidade. Todos vestidos com suas melhores roupas, num traje pouco comum às suas figuras, o que lhes dava um ar ridículo. A caminhada longa tornava-se ainda mais cansativa por causa daquelas roupas e sapatos apertados. O mal-estar era geral, até que Fabiano cansou-se da situação e tirou os sapatos, metendo as meias no bolso, livrando-se ainda do paletó e da gravata que o sufocava. Os demais fizeram o mesmo. Voltaram ao seu natural. Baleia juntou-se ao grupo _ .
Chegando à cidade, foram todos lavar-se à beira de um riacho antes de se integrarem à festa. Sinha Vitória carregava um guarda-chuva. Fabiano marchava teso. Os meninos maravilham-se, assustados, com tantas luzes e gente. A igreja, com as imagens nos altares, encantou-os mais ainda. O pai espremia-se no meio da multidão, sentindo-se cercado de inimigos. Sentia-se mangado por aquelas pessoas que o viam em trajes estranhos à sua bruta feição. Ninguém na cidade era bom. Lembrou-se da humilhação imposta pelo soldado amarelo quando estivera pela última vez na cidade.
A família saiu da igreja e foi ver o carrossel e as barracas de jogos. Como Sinha Vitória negou-lhe uma aposta no bozó, Fabiano afastou-se da família e foi beber pinga _ . Embriagando-se, foi ficando valente. Imaginava, com raiva, por onde andava o soldado amarelo. Queria esganá-lo. No meio da multidão, gritava, provocava um inimigo imaginário _ . Queria bater em alguém, poderia matar se fosse o caso _ . Vez ou outra, interrompia suas imprecações para uma confusa reflexão. Cansado do seu próprio teatro, Fabiano deitou no chão, fez das suas roupas um travesseiro e dormiu pesadamente.
Sinha Vitória, aflita, tinha que olhar os meninos, não podia deixar o marido naquele estado. Tomando coragem para realizar o que mais queria naquele momento, discretamente esgueirou-se para uma esquina e ali mesmo urinou. Em seguida, para completar o momento de satisfação, pitou num cachimbo de barro pensando numa cama igual à de seu Tomas da bolandeira .
Os meninos também estavam aflitos. Baleia sumira na confusão de pessoas, e o medo de que ela se perdesse e não mais voltasse era grande. Para alívio dos pequenos, a cachorrinha surge de repente e acaba com a tensão. Restava, agora, aos pequenos, o maravilhamento com tudo de novo que viam. O menor perguntou ao mais velho se tudo aquilo tinha sido feito por gente. A dúvida do maior era se todas aquelas coisas teriam nome. Como os homens poderiam guardar tantas palavras para nomear as coisas _ ?
Distante de tudo, Fabiano roncava e sonhava com soldados amarelos.
Baleia
Pêlos caídos, feridas na boca e inchaço nos beiços debilitaram Baleia de tal modo que Fabiano achou que ela estivesse com raiva. Resolveu sacrificá-la. Sinha Vitória recolheu os meninos, desconfiados, a fim de evitar-lhes a cena.
Baleia era considerada como um membro da família, por isso os meninos protestaram, tentando sair ao terreiro para impedir a trágica atitude do pai. Sinha Vitória lutava com os pequenos, porque aquilo era necessário, mas aos primeiros movimentos do marido para a execução, lamentou o fato de que ele não tivesse esperado mais para confirmar a doença da cachorrinha.
Ao primeiro tiro, que pegou o traseiro da cachorra e inutilizou-lhe uma perna, as crianças começaram a chorar desesperadamente.
Começou, lá fora, o jogo estratégico da caça e do caçador. Baleia sentia o fim próximo, tentava esconder-se e até desejou morder Fabiano. Um nevoeiro turvava a visão da cachorrinha, havia um cheiro bom de preás. Em meio à agonia, tinha raiva de Fabiano, mas também o via como o companheiro de muito tempo. A vigilância às cabras, Fabiano, Sinha Vitória e as crianças surgiam à Baleia em meio a uma inundação de preás que invadiam a cozinha _ . Dores e arrepios. Sono. A morte estava chegando para Baleia.
Contas
Fabiano retirava para si parte do que rendiam os cabritos e os bezerros. Na hora de fazer o acerto de contas com o patrão, sempre tinha a sensação de que havia sido enganado. Ao longo do tempo, com a produção escassa, não conseguia dinheiro e endividava-se.
Naquele dia, mais uma vez Fabiano pedira a Sinha Vitória para que ela fizesse as contas. O patrão, novamente, mostrou-lhe outros números. Os juros causavam a diferença, explicava o outro. Fabiano reclamou, havia engano, sim senhor, e aí foi o patrão quem estrilou. Se ele desconfiava, que fosse procurar outro emprego. Submisso, Fabiano pediu desculpas e saiu arrasado, pensando mesmo que Sinha Vitória era quem errara.
Na rua, voltou-lhe a raiva. Lembrou-se do dia em que fora vender um porco na cidade e o fiscal da prefeitura exigira o pagamento do imposto sobre a venda. Fabiano desconversou e disse que não iria mais vender o animal. Foi a uma outra rua negociar e, pego em flagrante, decidiu nunca mais criar porcos _ .
Pensou na dificuldade de sua vida. Bom seria se pudesse largar aquela exploração. Mas não podia! Seu destino era trabalhar para os outros, assim como fora com seu pai e seu avô.
As notas em sua mão impressionavam-no. "Juros", palavra difícil que os homens usavam quando queriam enganar os outros. Era sempre assim: bastavam palavras difíceis para lograr os menos espertos. Contou e recontou o dinheiro com raiva de todas aquelas pessoas da cidade. Sinha Vitória é que entendia seus pensamentos.
Teve vontade de entrar na bodega de seu Inácio e tomar uma pinga. Lembrou-se da humilhação passada ali mesmo e decidiu ir para casa. o céu, várias estrelas. Deixou de lado a lembrança dos inimigos e pensou na família. Sentiu dó da cachorra Baleia. Ela era um membro da família.
O Soldado Amarelo
Procurando uma égua fugida, Fabiano meteu-se por uma vereda e teve o cabresto embaraçado na vegetação local. Facão em punho, começou a cortar as quipás e palmatórias que impediam o prosseguimento da busca. Nesse momento, depara-se com o soldado amarelo que o humilhara um ano atrás _ . O cruzar de olhos e o reconhecimento durou fração de segundos. O suficiente para que Fabiano esfolasse o inimigo. O soldado claramente tremia de medo. Também reconhecera o desafeto antigo e pressentia o perigo.
Fabiano irritou-se com a cena. O outro era um nadica. Poderia matá-lo com as mãos, sem armas, se quisesse. A fragilidade do outro aos poucos foi aplacando a raiva de Fabiano. Ponderou que ele mesmo poderia ter evitado a noite na cadeia se não tivesse xingado a mãe do amarelo. No meio daquela paisagem isolada e hostil, só os dois, e se ele pedisse passagem ao soldado? Aproximou-se do outro pensando que já tinha sido mais valente, mais ousado. Na verdade, na fração de segundo interminável Fabiano ia descobrindo-se amedrontado. Se ele era um homem de bem, para que arruinar a sua vida matando uma autoridade? Guardaria forças para inimigo maior.
Sentindo o inimigo acovardado, o soldado ganhou força. Avançou firme e perguntou o caminho. Fabiano tirou o chapéu numa reverência e ainda ensinou o caminho ao amarelo.
O Mundo Coberto de Penas
A invasão daquele bando de aves denunciava a chegada da seca. Roubavam a água do gado, matariam bois e cabras. Sinha Vitória inquietou-se. Fabiano quis ignorar, mas não pôde; a mulher tinha razão. Caminhou até o bebedouro, onde as aves confirmavam o anúncio da seca. Eram muitas. Um tiro de espingarda eliminou cinco, seis delas, mas eram muitas. Fabiano tinha certeza, agora, de uma nova peregrinação, uma nova fuga.
Era só desgraça atrás de desgraça. Sempre fugido, sempre pequeno. Fabiano não se conformava, pensava com raiva no soldado amarelo, achava-se um covarde, um fraco. Irado, matou mais e mais aves. Serviriam de comida, mas até quando ? Quem sabe a seca não chegasse...Era sempre uma esperança. Mas o céu escuro de arribações só confirmava a triste situação _ . Elas cobriam o mundo de penas, matando o gado, tocando a ele e à família dali, quem sabe comendo-os.
Recolheu os cadáveres das aves e sentiu uma confusão de imagens em sua cabeça. Aquele lugar não era bom de se viver. Lembrou-se de Baleia, tentou se convencer de que não fizera errado em matá-la, pensou de novo na família e no que as arribações representavam. Sim, era necessário ir embora daquele lugar maldito _ . Sinha Vitória era inteligente, saberia entender a urgência dos fatos.
Fuga
O céu muito azul, as últimas arribações e os animais em estado de miséria indicavam a Fabiano que a permanência naquela fazenda estava esgotada. Chegou um ponto em que, dos animais, só sobrou um bezerro, que foi morto para servir de comida na viagem que se faria no dia seguinte.
Partiram de madrugada, abandonando tudo como encontraram. O caminho era o do sul. O grupo era o mesmo que errava como das outras vezes. Fabiano, no fundo, não queria partir, mas as circunstâncias convenciam-no da necessidade.
A vermelhidão do céu, o azul que viria depois assustavam Fabiano _ . Baleia era uma imagem constante em seus confusos pensamentos. Sinha Vitória também fraquejava. Queria, precisava falar _ . Aproximou-se do marido e disse coisas desconexas, que foram respondidas no mesmo nível de atrapalhação.
Na verdade, ele gostou que ela tivesse puxado conversa. Ela tentou animar o marido, quem sabe a vida fosse melhor, longe dali, com uma nova ocupação para ele. Marido e mulher elogiam-se mutuamente; ele é forte, agüenta caminhar léguas, ela, tem pernas grossas e nádegas volumosas, agüenta também. A cidade, talvez, fosse melhor. Até uma cama poderiam arranjar. Por que haveriam de viver sempre como bichos fugidos _ ?
Os meninos, longe, despertavam especulações ao casal. O que seriam quando crescessem? Sinha Vitória não queria que fossem vaqueiros. O cansaço ia chegando à medida que avançava a caminhada, e assim houve uma parada para descanso. Novamente marido e mulher conversavam, fazendo planos, temendo o mau agouro das aves que voavam no céu.
Sinha Vitória acordou os pequenos, que dormiam, e seguiu-se viagem. Fabiano ainda admirou a vitalidade da mulher. Era forte mesmo! Assim, a cada passo arrastado do grupo um mundo de novas perspectivas ia sendo criado. Sinha Vitória falava e estimulava Fabiano. Sim, deveria haveria uma nova terra, cheia de oportunidades, distante do sertão a formar homens brutos e fortes como eles.
É incrível como a natureza ainda não nos tem raiva, mesmo depois de tudo que fizemos com ela. A mesma praia que estava cheia de lixo proporciona um amanhecer (no mesmo dia) lindo!!!
Não, é crível sim, que a raiva é algo passível somente da "natureza humana", assim como a violência contra a vida. A natureza não humana, apenas é, até que deixe ser, e quando não deixar, ela lutará pela sua existência e não temos chances nenhuma de ir contra nossa criadora.
Prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo
Eu quero dizer
Agora, o oposto do que eu disse antes
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo
Sobre o que é o amor
Sobre o que eu nem sei quem sou
Se hoje eu sou estrela
Amanhã já se apagou
Se hoje eu te odeio
Amanhã lhe tenho amor
Lhe tenho amor
Lhe tenho horror
Lhe faço amor
Eu sou um ator
É chato chegar
A um objetivo num instante
Eu quero viver
Nessa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo
Sobre o que é o amor
Sobre o que eu nem sei quem sou
Se hoje eu sou estrela
Amanhã já se apagou
Se hoje eu te odeio
Amanhã lhe tenho amor
Lhe tenho amor
Lhe tenho horror
Lhe faço amor
Eu sou um ator
Eu vou lhe desdizer
Aquilo tudo que eu lhe disse antes
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo
- Eu que já andei pelos quatro cantos do mundo procurando, foi justamente num sonho que Ele me falou:
Às vezes você me pergunta
Por que é que eu sou tão calado,
Não falo de amor quase nada,
Nem fico sorrindo ao teu lado.
Você pensa em mim toda hora.
Me come, me cospe, me deixa.
Talvez você não entenda,
Mas hoje eu vou lhe mostrar.
Eu sou a luz das estrelas;
Eu sou a cor do luar;
Eu sou as coisas da vida;
Eu sou o medo de amar.
Eu sou o medo do fraco;
A força da imaginação;
O blefe do jogador;
Eu sou!... Eu fui!... Eu vou!...
Gita! Gita! Gita!
Gita! Gita!
Eu sou o seu sacrifício;
A placa de contra-mão;
O sangue no olhar do vampiro
E as juras de maldição.
Eu sou a vela que acende;
Eu sou a luz que se apaga;
Eu sou a beira do abismo;
Eu sou o tudo e o nada.
Por que você me pergunta?
Perguntas não vão lhe mostrar
Que eu sou feito da terra,
Do fogo, da água e do ar!
Você me tem todo dia,
Mas não sabe se é bom ou ruim.
Mas saiba que eu estou em você,
Mas você não está em mim.
Das telhas eu sou o telhado;
A pesca do pescador;
A letra "A" tem meu nome;
Dos sonhos eu sou o amor.
Eu sou a dona de casa
Nos pegue pagues do mundo;
Eu sou a mão do carrasco;
Sou raso, largo, profundo.
Gita! Gita! Gita!
Gita! Gita!
Eu sou a mosca da sopa
E o dente do tubarão;
Eu sou os olhos do cego
E a cegueira da visão.
Eu!
Mas eu sou o amargo da língua,
A mãe, o pai e o avô;
O filho que ainda não veio;
O início, o fim e o meio.
O início, o fim e o meio.
Eu sou o início,
O fim e o meio.
Eu sou o início
O fim e o meio.
Ainda que o trailer esteja em inglês, as imagens dizem tudo. Qualquer semelhança com a realidade atual não é mera coincidência. Huxley escreve em 1931...
"Até que a Arte nos Salve!" (São Paulo): até o próximo dia 5 de abril, quem passar por pontos específicos da capital paulista poderá deparar com painéis de 2,5 x 3 metros do artista Adriano Carnevale Domingues. As imagens --ampliações de telas de sua autoria-- fazem parte de uma intervenção que, segundo o artista, visam "apresentar, pela arte, condições humanas e filosóficas com o intuito de questionar e desestruturar a acomodação social".
O re-HUrbManismo tenta re-humanizar as cidades e/ou re-urbanizar as pessoas através de atos/ações em espaços públicos com o intuito de re-valorizar e reverter o fenômeno de dependência destes mesmos espaços em relação aos espaços privados ou particulares.
“Até que a arte nos salve!” é uma intervenção baseada em ampliações fotográficas de pinturas a óleo de minha autoria cujo foco é o processo de analise do ser humano e suas co-relações.
A arte como o processo de analise e entendimento humano e não apenas a produção de imagens decorativas. A pintura como construção literária. A imagem direta sem paisagens para distração.
É uma ação individual e independente, sem patrocínios ou interlocutores.
Evolução (óleo sobre tela 80x120cm) – 2010
O teu dinheiro delimita o território, a porção de agressividade que tenho, eu extravaso em você e te excluo do bando. Não caço, minha caça já está morta e minhas presas atrofiadas. Vivemos em bandos, eretos, lutando por espaço em uma selva artificial. Excluímos, segregamos, reproduzimos, abortamos.... Temos líderes, maldade, bondade e submissão. Temos vergonha da pele. Não sei se somos primitivos ou humanos demais, mas tenho certeza que talvez a única diferença é que nasceu em nós a ilusão.
Apartheid, Catequização, Chacina, Ditadura, Sem teto, Inquisição, Pobreza, Extinção, Refugiados, . . .
Qualidade de vida (óleo sobre tela 80x120cm) – 2010
Deposite, pois esta faltando...
Compre, pois disseram que é necessário...
Troque, não importa a idade...
Rejeite, ao teu bel prazer...
Sufoque, Destrua, Arranque, Cimente,...
... ciente.
D'(EU)S
Definição:
A Luba (RDC): República Democrática do Congo - Africa
A Luba Africano como a maioria das pessoas acredita em um Deus que dá aos homens a forma de várias mentes. Esta divindade é expressa por 3 espíritos primário (a palavra, gesto e respiração). Suas esculturas descrevem como um livro, e em segredo, os mitos de origem e história das dinastias royales. Por isso que eles usam símbolos diferentes:
O ponto rodeado por 2 círculos é o símbolo divino.
O cone, espirais caracóis evocar o cabo trançado. Eles simbolizam vida, nascimento, fertilidade.
O ponto e os dois círculos, a torção espiral e expressar o mundo original, a criação do mundo.
A árvore de Ficus é sagrada desde o Antigo Egipto ea Mesopotâmia. Ela está ligada ao sangue menstrual e adivinhação. Ele é usado para esculpir objetos sagrados.
Kaolin simboliza os espíritos dos mortos.
Os triângulos referem-se a complementaridade entre homens e mulheres, o penteado cruciforme representa os 4 pontos cardeais.
O sol é o lado de Deus, de dia positivo.
A lua tem o seu lado negro, os maus espíritos.
As noites de lua cheia de motivos para sacrifício porque o poder dos maus espíritos é maior. O mundo dos mortos está localizado na Via Láctea.
Estas máscaras redondas são exclusivamente atribuídos a Luba. As linhas brancas está associada a características positivas (grau de pureza, bondade, luz, leite ...). A função destas máscaras Luba é benéfica; sua dança deve animar espíritos guardiões. As cores são simbólicos, tais como formulários, eles indicam "sexo" da máscara, mas também a sua magia em potencial.
Natureza-morta (óleo/acrílico sobre tela 80x50cm)
Segundo os dicionários, "Natureza-morta" é um gênero de pintura em que se representa seres inanimados, como frutas, flores, livros, taças de vidro, garrafas, jarras de metal, porcelanas, dentre outros objetos.
Nesta tela o título é natureza morta pois para mim quando os seres humanos são privados da liberdade, seja como castigo ou normas e leis; quando uma sociedade aprisiona os vivos (animais ou homens) é que a natureza morreu, foi assassinada. Humanidade que se priva da liberdade, dos atos espontâneos, e que reprime sua natureza; esta morta !
Humanidade que ensina a matar para depois punir; esta morta!
Condicional (óleo sobre tela 80x100cm)
Acepções
■ adjetivo de dois gêneros
1 que contém, implica, é sujeito a ou dependente de uma condição; incerto, condicionado
2 Rubrica: gramática, lingüística. que expressa condição ou suposição; que introduz, contém ou implica uma suposição ou hipótese
3 m.q. condição ('obrigação, encargo' e 'situação')
"Sinto por vezes minhas pernas fracas, penso no cúmulo de mendigar ajuda, mas para quem ? É certo, na minha idade, ter que pedir?
Me lembro quando jovem da minha indignação em dividir meu espaço com mendigos nas ruas; _que pessoas folgadas, vagabundos, dizia eu. _É mais fácil pedir que trabalhar, justificava-me.
Agora, sinto que generalizei demais e sem saber, ensinava aqueles que hoje nem me ajudam ou sequer me vêem."
Liberdade de expressão (óleo sobre tela 90X70cm)
Será que a censura continua, ou foi plantada a seu tempo em nós? Seria a superficialidade da imagem sem conteúdo a marca da futilidade mental semeada com a censura?
Às vezes sinto que falo para ninguém e a espontaneidade da expressão é barrada no limite da aceitação comum, nivelada pelo valor do consumo.
Agora vejo que a liberdade é amarrada e abafada pelo véu da hipocrisia.
Nasceu em nós a pior das censuras, enfim.
Fraternidade (oleo/acrilico/carvão sobre tela 90x70cm)
"Não dê apenas esmolas; Dê futuro."
Bala perdida (óleo sobre tela 90X70cm)
Carlos Henrique, 15 anos, estava em um ônibus para passar o final de semana com seu avô viuvo , quando foi atingido...
Clarice, 33 anos, esperava seu primeiro filho após anos de trabalho e planejamento, quando foi atingida a caminho do trabalho...
Eduardo, 52 anos, foi atingido em seu carro devido a proximidade de um assalto no trânsito...
Janaína, 63 anos, foi atingida enquanto dormia em seu apartamento milionário.
Tatiana, 19 anos, acaba de conseguir uma vaga na companhia de ballet do Teatro Municipal, mas...
"Somos todos Sua imagem e semelhança"... e não números de uma estatística.
Fome (óleo sobre tela - 90x70cm)
Perco a boca diante da fome. Pedir, mendigar, vasculhar o resto em sacos lotados de pouca dignidade. O que é mais inconcebível? A ausência da boca em uma pintura ou a privação do alimento em campo fértil?
Vênus/Afrodite (óleo sobre tela 90x70cm)
Vênus, Deusa da Natureza, Grande Mãe , mito da beleza e do amor, nasce em uma concha de madrepérola gerada pelas espumas. Era considerada a mãe do povo romano...Equivalente a Afrodite grega.
Os relatos impressos da humanidade muitas vezes alteraram mitos ou personificaram deuses às suas imagens, mas se a África é o "berço da humanidade", a representação mais honesta da Grande Mãe, deusa da natureza Vênus/Afrodite, mantendo esta denominação, seria de uma africana, negra, sem a tradução despigmentada greco-romana. A imagem mítica de acordo com a origem humana, primitiva e não de acordo com a força de um império."os mitos possuíam uma função extremamente importante nas sociedades primitivas, pois explicavam os aspectos essenciais da realidade, tais como a origem do mundo, o funcionamento da natureza e dos processos naturais, assim como os processos interiores do próprio homem, juntamente com seus valores básicos. Eram responsáveis não só pela educação e conduta desses povos, servindo como guias para uma vida segura, afastando quaisquer sentimentos de negação da existência, provenientes de uma real impotência em relação à supremacia das intempéries, doenças e mortes." (MONIZ, Luiz Claudio. Mito e música em Wagner e Nietzsche. Rio de Janeiro: Madras, 2007, p. 33).
Talvez, se não transformássemos tanto as imagens para que sejam semelhantes a nós, respeitaríamos melhor as diferenças humanas .
Herança (óleo/acrílica sobre tela 50x80cm)
Visão sobre uma sociedade que não enxerga a importância das coisas, dos pensamentos, das artes, dos seres vivos... e consciente ou inconscientemente herdam a cegueira social e intelectual. Fábrica social de seres invisíveis, onde homens, mulheres e crianças são tratados como sacos ou entulhos espalhados nas ruas; anos de empobrecimento comum, e que quanto mais tempo o homem vivência inconscientemente uma situação, acaba por transforma-la em realidade sem que a consciência filtre, atrofiando assim, a sua percepção, germinando uma nova realidade.